JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

A PERMANÊNCIA DO INSTÁVEL

Publicado na edição 93 de Julho de 2009

“Não, não cabe a ti abrir o botão e fazê-lo desabrochar!
Podes sacudí-lo, golpeá-lo...
Está além de teu poder fazê-lo florescer“.

Rabindranath Tagore

A liberdade, esse valor retumbante de nossas vidas, tem povoado minhas reflexões de uma maneira intensa e assombrosa, como um pensamento instigante. Temos liberdade para fazer o que quisermos, para exercer o ofício que gostamos, para escolher a pessoa que irá caminhar conosco, liberdade para ler um livro, ouvir uma música. Somos livres. E o que fazemos com essa liberdade? Usamos essa liberdade para nos expressar, para fazer aquilo que gostamos. A liberdade seria a ausência de submissão, de servidão. Seria também uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, como dizia aquela propaganda. A liberdade qualifica a independência do ser humano, com autonomia e espontaneidade.

O desejo de liberdade é um sentimento profundamente arraigado em todos nós. Situações como: a escolha da profissão, o casamento e o compromisso político ou religioso, fazem homem e mulher enfrentar a si mesmos e exigem deles uma decisão responsável quanto a seu próprio futuro. A liberdade é um resíduo sutil que continua a inspirar-nos; que enaltece em nós antigos e consagrados valores. Todos temos assegurado nossa liberdade: o direito de ir, ficar e vir. Esse bem é tão importante que a civilização ocidental em sua penosa e constante evolução materializou essa conquista através do remédio jurídico conhecido como habeas corpus (tomai o corpo). É recorrente a afirmação de que só se conhece o valor da liberdade quando se passa pela experiência da prisão. Mas quem é verdadeiramente livre? Aquele que está livre ou quem está preso ? Camões, escrevendo sobre o amor, disse-nos: “é um estar-se preso por vontade”. E quem é senhor de si mesmo? Quem não é escravo de suas paixões ? Quem domina sua mente, seus medos ? Quem não suporta jugos e arrasta correntes e grilhões ? Quem não gostaria de alforriar-se a si próprio de tudo isso ? Ah, liberdade, liberdade, quem pode chamar teu nome ? Mata nossa fome e abre as asas sobre nós! Como atrever-me a falar de ti ? Será que tenho liberdade para tanto ? Talvez, quem sabe, um dia o faça bem melhor. Os lírios do campo e as aves do céu que me ensinem.

Antônio Laért
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