JORNAL MILÊNIO VIP - FESTEJOS

Colunistas - Neuza Carion

FESTEJOS

Publicado na edição 93 de Julho de 2009

O mês de julho tem como principal referência, no Brasil, as férias escolares de inverno. Como festejos, a extensão das festas de junho - Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo. Em Magé, são tradicionais as festas de Santo Aleixo e Santana. Recentemente vêm sendo destacadas em calendários festivos duas comemorações: o Dia do Amigo (20/7) e o Dias dos Avós (26/7) – este último uma derivação do dia dedicado a Santana, ou Santa Ana, mãe de Maria, portanto avó de Jesus.

Afora o interesse que tal informação possa ter para o conhecimento dos usos e costumes mageenses, o tema me motiva por razões pessoais: com o nascimento de Clara, dia 30 de junho último, vejo-me mais uma vez na condição de avó. Por isto entrei em recesso, tirei licença, saí de circulação e me dedico totalmente, neste mês das avós, à tarefa de ser a mãe da mãe. Tento cuidar da minha filha, para que ela possa cuidar das filhas dela. Procuro ser para ela o que minha mãe foi para mim. As novas gerações vêem com certa desconfiança o que vem das gerações precedentes. A atual crê que a familiaridade com a tecnologia a torna mais capaz. Só ainda não sabe que também a torna mais dependente. Nosso tempo tem a possibilidade da comprovação das teorias científicas, porém vovôs e vovós de todos os tempos, por observação e experiência, obtiveram o conhecimento empírico que teve sua eficácia repetidamente comprovada ao longo de algumas centenas de milhares de anos. Afinal o corpo do homem moderno não difere muito do corpo do homem que habitava as savanas, e pode-se dizer o mesmo das normas de convívio, da Ética, da Moral.

Este seria, aliás, um excelente tema a desenvolver, sob vários aspectos: o embate entre tradição e modernidade, as mudanças nos relacionamentos entre as pessoas, as novas configurações da família, a influência da globalização nos costumes, o futuro da humanidade... Mas por ora me ocupo e me contento em me deslumbrar com o prosaico, como todas as vovós passadas e futuras.
Hoje sinto orgulho ao me ver como um elo da corrente, um link entre o passado e o futuro, um instrumento para a transmissão dos códigos que têm conduzido nossa espécie para diante e para o alto, garantindo sua subsistência, sobrevivência e evolução. Ainda que não tenha sido minha a escolha, creio não ser acaso minha neta mais nova ter o nome de minha avó. E como sou uma avó do século 21, já que estou ausente e distante, mando por e-mail este artigo para o Milênio Vip – impresso e on-line – compartilhando com Magé minha alegria e agradecendo as manifestações de carinho recebidas.

Neuza Carion
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui