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Colunistas - Ivone Boechat

DIA DOS PAIS

Publicado na edição 94 de Agosto de 2009

A evolução do mundo acontece com tamanha velocidade que os filhos devem ser preparados, mais do que nunca, para respeitar seus pais. É muito comum ouvir-se um jovem dizer: “Papai não me entende“. O entendimento deve ser mútuo. Acorda-se, todo dia, com o “absurdo“ na última moda. No outro dia, o absurdo é substituído por absurdo maior.

Sempre uma bela característica do homem-pai é a compreensão. Ela mantém o equilíbrio na balança das concessões e ajuda no discernimento do sim e do não. A compreensão carrega nos braços as dificuldades do choque da convivência, quando os comportamentos se agridem.

O exemplo do pai está cada dia mais importante. De nada vale a severidade, se o filho descobre (e sempre descobre) que o seu discurso não corresponde à prática. O pai não é um mágico que se equilibra na mentira, é um ser autêntico que reconhece as próprias limitações.

Todo filho gostaria de ter um pai trabalhador, honesto, dedicado à família, e jamais um irresponsável, debochado, perdido na noite das indecisões, infeliz, semeando a infelicidade.

O dia dos pais deve ser uma ótima oportunidade de auto-avaliação: “que tipo de pai eu sou? Uso devidamente a minha autoridade? Ou tenho sido um ditador, um poderoso chefão, dentro do meu lar?”

Como é bom ter um pai!... Se ele for, é claro, investido das qualidades deste homem todo especial, isto é, se estiver em condições de contribuir com uma parcela de amor, mesmo reconhecendo a sua impossibilidade frente a inúmeros desafios.

A Diretora de uma Escola realizava uma reunião de pais e aproveitou a oportunidade para ressaltar a importância do apoio que os pais devem dar aos filhos. Pediu-Ihes, também, que estivessem presentes o máximo de tempo possível, junto de sua família.

A diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho nem de vê-lo, durante a semana. Quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo.

Ao voltar era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. Disse que a ausência o deixava angustiado. Para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria e dava-lhe um beijo na testa, todas as noites. Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretora ficou emocionada com a história tão singela. Ficou muito surpresa quando descobriu que o filho desse pai era um dos meninos mais dedicados e meigos alunos da escola.

Ivone Boechat
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