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Colunistas - Dulcimar Menezes

REMÉDIO PRA CRIANÇA É ÁGUA COM AÇÚCAR

Publicado na edição 85 de Outubro de 2008

Outubro, mês das crianças! Todos os outdoors espalhados pelas cidades já estão exibindo este slogan para que, obviamente, seus anunciantes aproveitem à oportunidade de aumentarem as suas vendas. Estamos na época de presentearmos nossas crianças, não é verdade? E, com certeza, elas precisam ser muito homenageadas. As crianças trazem em essência tudo o que a sociedade precisa resgatar em si para a sua cura (Acredito que todos concordem que o mundo está gravemente adoecido, principalmente em se tratando das relações humanas...).
Quando nos perguntamos o que o mundo precisa para se tornar melhor, imediatamente respondemos: mais justiça, respeito, lealdade, honestidade, verdade, menos egoísmo, e por aí vai... Estas virtudes saem de nossas bocas através de frases prontas, porém vazias de determinação. Mas aonde foi parar o nosso senso de justiça, de lealdade, de respeito, honestidade, solidariedade e tantas outras qualidades perdidas no homem moderno em seus diversos contextos?

Onde tais virtudes se perderam? Vamos encontrar esta resposta juntos? Eu lhes pergunto: Quem era o Fernandinho Beiramar e outros grandes chefes do crime organizado e tráfico de drogas em nosso país antes de se tornarem bandidos? Quem eram George Bush, Osama bin Ladem, Sadam Hussein antes de se converterem em líderes totalitários que insuflam massas populacionais à guerra pelo prazer do orgulho e do poder? Quem eram todas estas pessoas que superlotam os presídios pelo mundo afora? Quem eram os políticos malfeitores antes de escolherem o caminho da corrupção? Quem eram esses homens e mulheres que disseminam a violência em seus atos e omissões? Alguém já tem a resposta? Isso mesmo: ERAM TODOS CRIANÇAS!

A criança é justa; a criança é honesta; a criança é leal; a criança respeita; a criança é determinada; a criança ama; a criança perdoa. Porém, é lamentável observar que todas estes traços de caráter estão se distorcendo muito precocemente dando lugar na criança para o desajuste e a mentira. E o motivo é simples e evidente: exigimos o que não damos! Queremos uma criança justa, mas somos injustos com ela o tempo inteiro. Exigimos o respeito da criança no grito. Ora, se gritam conosco não nos sentimos desrespeitados?! Queremos que criança seja sincera e verdadeira, porém nos escondemos e mentimos descaradamente para elas. Queremos que os nossos filhos cresçam fortes, saudáveis e produtivos, mas não permitimos que experimentem o prazer de brincar com liberdade e assim aprenderem a gostar de conhecer, inventar e produzir. Queremos que eles sejam generosos mas quando lhes damos algo sempre esperamos alguma coisa em troca. Queremos crianças companheiras, mas estamos ocupados e cansados demais para oferecermos nossa companhia ( mas não tem problema, não. Eles ficam bem na companhia do computador, videogame ou televisão...). Enfim queremos acabar com a violência no mundo estimulando o medo o medo infantil! Continuamos sendo violentos com nossos filhos! Pois lhes digo: O medo crônico é o fundamento que sustenta todo o mal da humanidade!
Alguém perguntará: Então não devemos dar limites aos nossos filhos? Não é isto que estou dizendo e certamente estaria sendo incoerente e irresponsável se negasse a importância do limite na orientação de um ser em desenvolvimento. O que pretendo que reflitamos é que nós adultos estamos devendo às nossas crianças muito mais do que objetos e brinquedos que podemos comprar em lojas. Estamos devendo o que o dinheiro não compra. Às crianças devemos oferecer possibilidades de uma vida protegida em seus diversos aspectos, bem como limites claros com a transparência da água, porém com a doçura do açúcar que tempera as relações de amor verdadeiro. Como dizia a minha doce avó, Profª. Luísa Vieira, que completaria 100 anos neste mês de outubro se entre nós ainda estivesse, “remédio pra criança é água com açúcar”!

Salve 12 de outubro! Salvem as criaças!

Dulcimar Menezes
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