JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Rosinha Matuck

SER OU NÃO SER ÉTICO EIS A CONVENIÊNCIA...

Publicado na edição 95 de Setembro de 2009

Acho muito engraçado que nunca se falou tanto de ética como nos últimos tempos. Ética nas empresas, ética nos negócios, ética na política (meu Deus, esses são os piores). A sociedade está sedenta pela ética. Queremos, exigimos, bradamos, mas não praticamos. O que precisamos entender é que as mudanças começam pelas pequenas coisas do cotidiano, dos pequenos atos. Parece-me que só vale a pena ser ético se alguém estiver olhando, se não for assim, parece que não tem graça.

Às vezes me pergunto se as pessoas realmente sabem o que significa ética. Então, não custa nada explicar. “A palavra vem do grego Êthos e Ethos, que significam respectivamente “habitat, morada, abrigo“ e “conduta, comportamento“. Então ética envolve os aspectos físicos (ambiente, local onde se vive) e comportamentais (atitude, valores que norteiam a convivência)” que nos permite utilizar, de forma harmônica e sustentável, todos os bens da vida, permitindo que nossos descendentes também o façam. Numa abordagem mais objetiva, ela existe para garantir a sobrevivência das pessoas, mas é equivocadamente tratada como um valor. E ainda existem empresas que afirmam que a ética é um de seus valores corporativos.

Ética não pode ser um valor por si só, mas deve ser um conjunto de valores norteadores do convívio social. E por falar em valores sociais, como podemos tê-los num país onde a escola pública está em plena decadência e noventa e nove por cento das particulares possuem um currículo focado em apenas preparar crianças e jovens a serem mais competitivos para o mercado de trabalho. Em ambos os casos negligenciam a importante missão de formar pessoas integras, saudáveis, equilibradas para o convívio social. Estamos sem regras, sem um norte e isso aparece nas inúmeras contradições do cotidiano. Minha conclusão é que a causa da desarmonia social não é a ausência de valores (pois todos temos os nossos), mas a diversidade de valores.

Quando ouço alguém (um deputado ou outro político qualquer) falar de ética, sinto desprezo por eles e tento ,não querer entender o que querem dizer com suas caras de pau que tanto nos tem causado vômitos . Entretanto convivo com inúmeras pessoas cultas e bem formadas, que levantam com paixão a bandeira da ética e que, em determinado momento, escorregam em sua própria conduta a troco de interesse próprios.

O fato é que vivemos uma “ética de conveniência“, onde prevalece “dois pesos, duas medidas“. O que assistimos nos cenários corporativos, políticos e sociais é o discurso muito diferente da prática. Mostram um quadro de honestidade incondicional, solidariedade exemplar, verdade e integridade a qualquer prova, mas lamentavelmente, nos bastidores, a corrupção, ameaças, violências, falsidades, dissimulações, fofocas, jogos de vaidades e desrespeito mostrados na mídia , em tempo real nos assombram,nos deixam impotentes , abestalhados. Li dias desse num jornal qualquer ou revista que um grande mestre disse: “o homem moderno, diante dos erros alheios exige justiça, mas diante de seus próprios erros, clama por misericórdia“ O homem moderno está seriamente perdido, doente da alma, sem rumo. E o pior. Está tão mergulhada no egoísmo na ganância e na ignorância que não têm percebido em que mar de lama tem se entregado de uns tempo prá cá. Não será o Fome Zero, a reforma tributária ou política que resolverão os problemas da sociedade, mas uma criteriosa reforma intima que todos nós necessitamos fazer.A sociedade depende da saúde mental.

Rosinha Matuck
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui