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Colunistas - Antônio Laért

A TERRÍVEL VELOCIDADE DA QUEDA

Publicado na edição 85 de Outubro de 2008

Ganhar é bom. Perder nem tanto, mas a vitória pouco ensina; a derrota, ao contrário, com seu gosto amargo, é uma escola e um aprendizado valioso. Lembro de vovô sempre lembrando-me: filho, a roda que roda para cima, roda também para baixo. Essa verdade presente em minha vida ressoa como um refrão em minha cabeça. Depois que as urnas eletrônicas revelaram os vencedores e os vencidos do pleito último passado, admito que pouco consola a expressão o que importa é competir, sobretudo, para quem buscou resultado favorável sem o conseguir, mas é certo que olhar para trás, rever a estratégia e analisar a situação potencializa forças para que sobrevenha um acúmulo futuro de vitórias. O apóstolo Paulo de Tarso expressou muito bem isso quando afirmou com a força de seu testemunho, o “quando sou fraco é que sou forte” (2Cor12-9b-10). O vencedor comumente a ninguém ouve, tornando-se refém de sua empáfia e do círculo de bajuladores que reafirmam a todo momento que é o melhor.

Esse tolo precário ouve tanto essa frase que quando soçobra, sente falta desse mantra falso. O perdedor, ao contrário, humildemente levanta o véu para entender o que sucedeu, abrindo a perspectiva do espaço para que na fraqueza a força venha manifestar-se com todo o seu vigor, revendo sonhos e projetos que acordaram aterrados pela derrota. Aprende, refaz-se, reúne seus pedaços e avança rojetando-se num futuro promissor. O vencedor quando sente ruir seu castelo, sofre grave tombo em queda livre, vendo-se transtornado. É o destino que se cumpre. É a roda que gira. De um dia para o outro acorda nu, sem mando e poder. Impávido, anseia o tempo de reerguer-se, vendo o futuro passar à espera do objeto resplandecente que lhe confira o brilho de antes. Oculta-se o que parecia óbvio.

Antônio Laért
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