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Colunistas - Dulcimar Menezes

PELA CONSTRUÇÃO DA CIVILIZAÇÃO DO AMOR

Publicado na edição 95 de Setembro de 2009

Estamos próximos de uma data que se transformou no ícone do terrorismo mundial nos tempos modernos. As imagens daquelas duas torres do WTC, em Nova Iorque, vindo abaixo depois de atravessadas por aviões conduzidos por mentes dominadas pelo radicalismo ideológico, dificilmente serão esquecidas por qualquer um de nós que tenha assistido aos noticiários naquele dia e nos seguintes. Quanta destruição! Quanto desespero! Quanto pavor!...

Acredito que de todos os eventos de nossa existência devemos extrair sabedoria. Principalmente dos mais intensos e dolorosos, pois estes carregam em sua bagagem as maiores lições. Penso que em função disto cabe neste momento esta nossa reflexão sobre o terrorismo.

O terrorismo se caracteriza em todo ato de violência espetacular, praticado com o propósito de ocupar as mentes como o medo e o pavor. Eis a sua singularidade: a ocupação das mentes. O terror produz fantasmas que desestabilizam a ordem vigente. Desestabilizam emocionalmente as pessoas, obrigando-as a desconfiar de qualquer gesto ou de qualquer pessoa. Recorre-se ao terrorismo quando não há diálogo. A base do terrorismo é o fundamentalismo. Mas o que é isto? O fundamentalismo não é uma doutrina, mas a atitude e a forma de se entender e viver qualquer doutrina, quando se considera a própria verdade como absoluta e única legítima excluindo todas as outras. O seu efeito final nos diversos setores da vida da sociedade seja político, religioso, nas artes, na literatura, no cinema ou em outras áreas do saber, é sempre a produção da discriminação e exclusão, tensões, agressões e guerras, sejam reais ou mentais entre grupos e povos. “O fundamentalismo configura a doença crônica das religiões abraâmicas – judeus, cristãos e mulçumanos” (Leonardo Boff). E também de todas as outras que tratam de forma absoluta sua doutrina e caminhos espirituais, negando o pluralismo de fato e de direito, como caminhos que levam a Deus.

Alguns devem estar pensando: - Mas o que isto tudo tem a ver conosco? Pois bem, paradigmático foi o 11 de setembro de 2001. E como disse antes, um fato de gigantesca gravidade traz para todos nós ensinamentos na mesma proporção e não só para os três mil falecidos e seus familiares e conterrâneos. Todos nós somos aprendizes da escola da vida. Lamentavelmente, ainda somos testemunhas e protagonistas de atos terroristas em nosso cotidiano. Menores em proporção na sofisticação dos métodos destrutivos, porém na mesma medida em se tratando do requinte de crueldade para imprimir o medo dominador. Continuamos perseguindo ferozmente o diferente. Somos hostis quando não conseguimos impor a nossa ordem. Nossas escolas continuam expulsando. Alguns estudantes são “gentilmente” convidados a retirar de algumas escolas. Será que os seus dirigentes não percebem que neste momento estão assinando o seu próprio atestado de incompetência, posto que devessem cumprir a tarefa de socializar e não de excluir? E o que dizer dos grupos religiosos que excluem e marginalizam?...Não entendo... “Deus nos quer próximos!”... Enfim, o terrorismo perdurará enquanto não prevalecer um novo tipo de relação que consiga desestimular as raivas e os ódios que subjazem e alimentam o terror.

ABAIXO O FUNDAMENTALISMO PELA CONSTRUÇÃO DA CIVILIZAÇÃO DO AMOR!

Não quero esquecer a grande lição daquele dia de dor, mas prefiro lembrar que no dia 11 de setembro de 2008 nasceu Letícia, edificando as torres da alegria nos corações de sua família e seus amigos. Que o Deus de todos nós derrame sobre ela a Sua Graça!

E salve Cosme e Damião, arquétipos de doçura e generosidade que a nossa sociedade tanto carece!

Dulcimar Menezes
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