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Colunistas - Dulcimar Menezes

“MORTE, ONDE ESTÁ TUA VITÓRIA”

Publicado na edição 97 de Novembro de 2009

Uso a frase que encerrou o nosso pequeno diálogo há um ano, em novembro de 2008, como tema da reflexão que pretendo conduzir. Falamos naquela ocasião sobre o Dia de finados (todas as matérias de edições anteriores estão disponíveis no site).

Hoje quero falar diretamente sobre a morte. Quase ninguém gosta de falar de morte. Compreensível. Normalmente este tema é carregado de dor e desespero que muitas vezes conduz muito de nós ao lodaçal da melancolia e depressão. Sentimos-nos vencidos. Somos derrotados pelo sofrimento que nos faz tombar diante do nosso próprio orgulho que nos fez crer que somos infinitos... “A propósito, de quem foi a cretina idéia de nos fazer, a nós pobres mortais, acreditar nesta mentira!” Há os que pensam assim, não é verdade? Quantos de nós já não pensamos assim no momento da morte do pai, da mãe, do filho ou de um irmão ou amigo?

Porém, cabe refletir sobre a condição da finitude ou da infinitude do Homem. Acredito no ser humano como um projeto divino que alcançou na natureza terrestre um lugar privilegiado de organismo mais evoluído em relação a todos os outros seres vivos.
Contudo, este privilégio não o poupa de saber que vai morrer um dia. O homem é o único ser vivo que tem consciência da própria morte. Este dado poderia então se configurar numa enorme desvantagem, mas é justamente este fato que nos conduzirá a um estágio de desenvolvimento mental que ainda não alcançamos. Como disse a pouco, somos evoluídos em relação aos demais seres vivos, entretanto ainda não conquistamos a plenitude de Ser. De ser real, de ser realeza... Ainda nos realizamos com o efêmero da vida. Apegamos-nos ao que passa. Vinculamos-nos à matéria. Sendo assim, gastamos o nosso precioso tempo trabalhando naquilo que não gostamos, para comprar o que não precisamos e comer o que nos faz mal á saúde. Desperdiçamos grande parte do que adquirimos e, consequentemente, produzimos um lixo que o Planeta não está suportando carregar. Destruímos o nosso corpo e mesmo assim queremos que ele não acabe. E aí vem a morte e nos ensina o que é viver.

A vida é um Dom de Deus. Um dom é um presente. Ora, difícil imaginar que o Senhor do Universo, fonte de infinita generosidade, tendo dado a vida de presente às suas criaturas em algum momento a tiraria, não concordam comigo? Pois, a verdade é que nós seres humanos ainda não aprendemos a tirar proveito do fato de sabermos que vamos morrer. Ou, melhor dizendo, que o nosso corpo, pela lei natural que o rege, algum dia se transformará, e nós, que não somos o nosso corpo, seguiremos a nossa jornada infinita, vivos como assim desejou o Dono da vida. Portanto, não permitamos que a dor da saudade de um ente querido nos faça esquecer que a morte foi vencida. Para isso temos consciência da morte: para aprenderemos a olhar a vida por uma lente ampla e descobrir que SOMOS IMORTAIS!

E a minha irmã Soraia Barbosa Peçanha, a quem aprendi a amar como se de meu sangue fosse, e que hoje segue no plano espiritual a sua caminhada infinita, ofereço as palavras de Francisco de Assis, em seu Cântico das Criaturas, para que lhe sirvam de bálsamo em seu descanso:

“Louvado seja meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal, da qual nenhum vivente pode escapar“.

“Bem aventurados os que ela encontra na Tua santíssima vontade, ao qual a morte não fará mal“.

“Louvai e bendizei ao meu Senhor e rendei-lhe graças e servi-o com grande humildade”.

Que o Senhor da vida, que nos concedeu a graça de sermos infinitos, nos abençoe a todos! Afinal de contas “Morte, onde está tua vitória?”.

Dulcimar Menezes
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