JORNAL MILÊNIO VIP - POETAS EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA

Colunistas - Antônio Laért

POETAS EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA

Publicado na edição 97 de Novembro de 2009

“Saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão...”. Chico Buarque de Holanda

“A felicidade é como a pluma, que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve; precisa que haja vento sem parar”. Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Vivemos um tempo morno, de quase nenhuma ebulição. Um tempo de grande repetição; de pouco encantamento; de ausência de novidades; um tempo de copiar e colar; de nenhuma eloqüência; um tempo de grande indigência; de pouca arte e beleza. Tempo de apropriação de idéias alheias; de muita informação e quase nenhum conteúdo. Com efeito, o Padre já não impressiona com o sermão; o pastor nada diz com a pregação; O professor apenas cumpre o seu ofício; pouco encanta, incomoda, desafia.
O advogado da tribuna, chama pouca atenção. É muito comum ir e voltar vazio. Os homens ditos públicos nada dizem, só arrastam seus claquetes e desdizem muito mais. Nessas horas em que tudo é opaco, em que a iluminação é pouca, quem pode socorrer-nos são os Poetas. Eles podem ajudar-nos a sair desse fundo do fim. Eles nos fazem ver por uma fresta o raio de luz. São figuras que fascinam pelo entretenimento. Têm sempre uma palavra que move, incomoda, faz-nos andar no escuro. A visão deles antecipa-nos o futuro. O sofrimento deles nos poupa – o poeta só é grande se sofrer -. O encantamento de suas palavras nos desacomoda, interpela e leva a pensar. E a pensar com imaginação. Sua visão privilegiada nos inspira o melhor.
Conferem forma à vida e ajudam a esculpir a alma. Dão têmpera à luta e ajudam a avançar e acreditar que o mundo está salvo, porque eles, pessoas tão iguais a nós, e ao mesmo tempo enormemente diferentes, continuam a inspirar a raça humana. Voltemos então aos livros dos poetas. Deter-se na leitura de Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drumond de Andrade, Thiago de Mello, Vinícius de Moraes, Adélia Prado, Cora Coralina, Manoel de Barros e tantos outros, faz a vida fica melhor e mais inspirada. Experimente. É um pensar para além de toda consagração.

Antônio Laért
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