JORNAL MILÊNIO VIP - Fragmentos de interrogações amorosas

Colunistas - Antônio Laért

Fragmentos de interrogações amorosas

Publicado na edição 99 de Janeiro de 2010

“Dê o primeiro passo com fé. Você não precisa ver toda a escada, apenas suba o primeiro degrau”. Martin Luther King (1929-1968)

Eu não tenho nada a dizer, por isso escrevo. Deixa-me então falar, porque preciso demais desabafar: no segundo dia deste novo ano que vivemos, pus-me na direção da Praia da Piedade, em minha corrida matinal. Lá pude ver, decepcionado, a obra benemérita que dizem ter sido feita com dinheiro da Petrobras, auto-denominada “parque de exposições”. É um ´monumento` de gosto bastante duvidoso, que teve, entre outros, a audácia de subtrair e reduzir a visão mais bonita que tínhamos ao chegar no antigo cais o horizonte das águas e da biodiversidade do recôncavo da Baia de Guanabara. Quero crer que, nessa mal traçada solução de alvenaria, arquiteto tenha passado longe. Como aquilo pode ter nascido ali, sob olhos tristes e quietos de nossa população? É assustador e ao mesmo tempo muito triste. Faltou olhar sutil, original, chique e elegante, tosco, poético para recolher o que ali devia apenas ser realçado, posto em relevo. Mas, explica-se o fato consumado: a cria monstruosa deve ser imagem e semelhança de quem a concebeu; de um artista que não faz arte. Ponto. Mudo de assunto.

Algumas linhas agora sobre as praças de pedágio que cercam nossa Cidade. Houve quem dissesse, em passado não muito remoto, que Magé seria comparável a uma ilha cercada de pedágios por todos os lados. Talvez que caiba mesmo a exagerada metáfora. Fato é que nossa aldeia tem que se mexer para encontrar uma solução para os pedágios que a cercam. Ninguém discute mais os benefícios da concessão, são evidentes. Maduros, estamos agora em tempo de equacionar o que na pressa não foi tratado adequadamente. Prefiro pensar assim. Com efeito, tal era o estado da malha rodoviária nacional, que em 1996 data da concessão - sequer cogitou-se enfrentar outros temas correlatos, como por exemplo, a questão das cidades entrecortadas por pedágios, como é o caso de Magé.

A Rio-Teresópolis-Além Paraíba, foi a terceira rodovia concedida, a 14 anos atrás. Que soluções poderiam ser conduzidas junto a CRT e ANTT? Chapa branca para os veículos emplacados em Magé, os quais, nada pagariam ou o pagamento proporcional do pedágio pelos quilômetros efetivamente percorridos. Quando adentramos a via concedida, somos informados pela concessionária que a distância a ser percorrida até Magé é de 27 quilômetros. Ora, se a concessão tem a extensão de 142,5 quilômetros, com 2 (duas) praças de pedágio, os 2 (dois) trechos tem 71,25 quilômetros cada. Por cada um desses trechos paga-se R$ 9,00 (nove reais). Portanto, o preço do quilômetro percorrido é R$ 0,12631. Assim, o mageense deveria pagar apenas R$ 3,41 pelos 27 quilômetros que percorre e não o que lhe é hoje cobrado, sem contar que deveria ainda existir nessa via saídas com cobranças igualmente proporcionais em Piabetá, Mauá, Suruí, Santo Aleixo, etc., como existem na Europa e EUA. Caso, na via administrativa, a questão não encontre acolhida ou encaminhamento adequado, o caminho a ser percorrido é o do Poder Judiciário, seja com demandas individuais ou coletivas. Talvez seja mesmo uma boa resolução para 2010! Enfrentar o tema é afirmar nossa cidadania.

Volto-me a outro assunto: a Vara Federal de Magé completa 10 anos em maio de 2010 e Aviso foi publicado em O Globo de 3 de janeiro de 2010, pela Seção Judiciária do Rio de Janeiro, buscando a identificação de imóvel para locação no município. Conquistas deveriam ser mantidas para o bem da cidade e de nossos concidadãos, pena que nem todos pensem assim. O silêncio é sonoro, indiferente, idiota. O prazer de estragar parece ser mais forte que a angústia de perder. Que a Mãe da Piedade, guarde o nosso chão e vele por nosso amor.

Antônio Laért
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