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Colunistas - Dulcimar Menezes

Não é hora de perder a ESPERANÇA

Publicado na edição 99 de Janeiro de 2010

Feliz Ano Novo! Começou 2010! Lamentavelmente, a virada de ano foi marcada por vários eventos traumáticos. Tempestades e enchentes em vários lugares, inclusive a Baixada Fluminense, envolvendo nossos irmãos e amigos. Desabamentos e destruições em Angra dos Reis e em outros estados do país. Altas temperaturas insuportáveis no Brasil. Nevascas devastadoras pelo mundo. E recentemente, o catastróficos terremoto no Haiti. Trágicos eventos naturais... Feito uma mulher contrariada, a Terra se revoltou!

Na mitologia grega a Terra é representada pela Deusa Gaia. Este mito personifica uma potencialidade geradora de vida quase absurda: “É a grande mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após a morte. É a força que dá sustento e possibilita a ordem do mundo”.

Em meados do século XX, o cientista James Lovelock desenvolveu uma teoria denominada por ele Hipótese Gaia. Esta teoria fundamenta a idéia de que o nosso planeta se comportaria como um organismo vivo e inteligente. E que, assim sendo, a Terra seria capaz de superar situações de desequilíbrio ameaçadoras à vida e criar novas condições de equilíbrio, mesmo que exigisse grandes adaptações das espécies existentes. A sociedade científica começa a amadurecer que esta visão é capaz de explicar o comportamento planeta, que parece, atualmente, se comportar como um ser oprimido em suas potencialidades e começa a reagir em busca de um novo estado vibratório, sempre, sempre a procura de um novo equilíbrio que preserve a sua saúde e, conseqüentemente, sua sobrevivência.

Causou-me forte impressão a comparação do comportamento humano, apresentada em um filme de ficção científica (porém de profundo valor humano, como toda boa ficção científica), onde o homem moderno não atenderia à classificação de mamíferos (como aprendemos a nos definir) que instintivamente se adapta harmoniosamente ao seu meio ambiente, e sim à classificação de Vírus que se multiplica indiscriminadamente, devorando todos os recursos ao seu redor e em seguida migrando para um outro lugar onde inicia um novo ciclo de destruição. Forte, não acham? Estaríamos nos comportando como uma doença!

A natureza tem enviado a sua mensagem. E tem sido mais eloqüente em alcançar a sensibilidade dos cidadãos do que as decepcionantes Conferências Internacionais, reunindo líderes políticos do mundo inteiro, nitidamente muito mais comprometidos em defender os seus próprios interesses em face aos interesses da família humana. E onde o dito da comunidade científica é relegada ao segundo plano.

A saída é simples, porém não menos exaustiva. E depende de cada um de nós. Vamos ouvir o grito de socorro de Gaia antes que Ela encontre os seus próprios meios. A Vida é autônoma e cuida de si. E não precisa de nós. Nós é que precisamos da Vida!
Presto minha singela homenagem a Dra. Zilda Arns, que morreu combatendo o bom combate no Haiti. Imagino que se Deus a houvesse confidenciado os seus desígnios para o povo haitiano, em relação ao terremoto que devastou o país, certamente a sua prece teria sido da seguinte forma: - Seja feita a vossa vontade, Senhor. Mas, por favor, permita-me que não os deixe sozinhos nesta hora de dor e sofrimento. Se for de Vossa Sagrada vontade que eu possa estar com eles neste momento.- Absolutamente admirável a coragem deste espírito! Morreu dentro de uma igreja pregando a solidariedade que salva vidas. O episódio de sua morte por si só conta a história de sua vida. Exemplo a ser seguido. Façamos a nossa parte. Encerrando, faço minhas as sábias palavras de Dom Paulo Evaristo Arns ao receber a notícia da morte de sua caríssima irmã: “NÃO É HORA DE PERDER A ESPERANÇA!”


Dulcimar Menezes
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