JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Dulcimar Menezes

Hora de agir: Tempo de reconstruir

Publicado na edição 100 de Fevereiro de 2010

“Muda! Porque quando a gente muda o mundo muda com a gente”.
Gabriel o pensador

Passou o carnaval. Terminou o horário de verão. E que verão!... Alguém ainda tem dúvidas sobre a verdade das mudanças climáticas? Existe ainda algum cético insensível que é capaz de sustentar a idéia de que o desequilíbrio no clima planetário é uma fantasia de cientistas e ambientalistas sensacionalistas? Inverno mais rigoroso de todos os tempos no hemisfério norte (logo este...). Verão mais quente dos últimos cinqüenta anos no Brasil. Volumes de chuvas desproporcionais em breves períodos. Enchentes, desabamentos e desabrigados para todos os cantos do mundo: Rio de janeiro, Paraná, Minas Gerias, São Paulo, Austrália, Grécia, Argentina, Peru...

Mais fazer o que senão lamentar, não é verdade? Somos vítimas impotentes, certo? ERRADO! Somos responsáveis pela realidade. Somos nós que jogamos lixos nas ruas, que correm para os bueiros e entopem o escoamento dos canais pluviais. Somos nós que construímos em várzeas de rios ou nas encostas dos morros, sem planejamento ou orientação. Somos nós que na hora de fazermos nossas compras não estamos nem aí para o desperdício e os resíduos sólidos que iremos produzir. E depois os descartamos sem o menor critério nas ruas e esperamos despreocupadamente que a prefeitura se livre da montanha de lixo da maneira que melhor lhe aprouver (na maior parte das vezes em lixões a céu aberto, como na maioria das cidades brasileiras). Isto quando não o desprezamos nos rios, morros ou beiras de estradas, sem falar em terrenos baldios na própria rua que moramos ou adjacências. Já ouvimos falar em coleta seletiva, em aterros sanitários, em reciclagem, em compostagem doméstica de resíduos orgânicos... Mas são assuntos que não nos interessam muito. Somos nós que impiedosamente assassinamos árvores centenárias desde que elas se posicionem no caminho do nosso interesse. Somos nós que achamos educação ambiental é aprender a fazer enfeites de natal e fantasias com garrafas pet. Mas e depois? O que fazer com este plástico que polui os mares e compromete a fertilidade da terra? E o que é pior, somos nós que elegemos aqueles que com suas políticas assistencialistas e corruptivas sustentam este panorama caótico que protagonizamos na atualidade. “Se a educação abandonar a praça da cidade, ela será tomada pelo lixo social”. Esta frase me causou forte impressão na matéria da professora Ivone Boechat, sob o título S.O.S. Educação, publicada na edição passada do nosso milênio vip. É isso aí. Sem uma política que priorize a educação (e educar é transformar e não vestir e alimentar como muitos especialistas equivocados pensam por aí) não haverá a menor chance para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. A propósito, quem se interessa em saber o que seja Sustentabilidade?!

Louvo a proposta da Campanha da Fraternidade Ecumênica– CFE 2010- que tem como tema: Fraternidade e Economia. A palavra Economia tem origem no grego Oikos que significa Casa. Economia em seu sentido amplo seria o mesmo que dizer aquele que administra o lar. A palavra ecologia tem mesma origem e significa o estudo do lugar onde se vive. Nada mais pertinente para os dias atuais do que refletir sobre economia e vida. Devemos lembrar que a economia de uma sociedade de consumo é conduzida pelo consumidor. Somos nós que ditamos as regras do mercado e deveríamos estar cada vez mais conscientes disto. Mas ao contrário, somos alienados desta consciência. Portanto, Acorde! Não somos vítimas, somos agentes. Não somos objetos, somos sujeitos!

A iniciativa do CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, que promove a campanha, tem por objetivo unir as pessoas de boa vontade (contexto que acredito estarem incluídos todos os filhos de Deus, independente da sua profissão de fé) em reflexão profunda sobre a idéia de uma economia a serviço da vida, sem exclusão, construindo uma cultura de solidariedade e de paz. Urge aprendamos a comungar e não somente a consumir, se queremos proteger o nosso planeta, nossa casa comum. Como disse antes: Não é hora de perder a esperança. Agora a hora é de agir!

Paz e bem!

Dulcimar Menezes
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