JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Uma década do Milênio

Publicado na edição 100 de Fevereiro de 2010

“Só o impossível é digno de ser sonhado. O possível deixa-se colher no solo fácil de cada dia”.
Abgar Renault

“Quero tudo colorido para praticar o gosto de olhar”. Tavito

O tempo apaga tão bem as memórias. É como se fosse uma borracha macia que suavemente desliza sobre o papel branco, tudo desmanchando. Ele tranqüiliza as lembranças e as coloca em repouso. Mas, como sem as memórias, os afetos se perdem, entro e me adentro no tempo, tentando me lembrar do que passou e não volta mais.

Dez anos é um tempo considerável. Esse é o tempo de vida que nosso jornal Milênio VIP completa agora. Perto de 120 edições já terão circulado, chegando às mãos do leitor, rente que nem pão quente. De graça ele passa entre nós repartindo pérolas aos poucos. Muita coisa ocupou essas páginas, dentre letras, textos, matérias, fotos, fatos, pessoas, tinta, publicidade e papel.

A função do jornal tem sido reunir em si um pouco do que temos e podemos mostrar com lisonja. Nessas páginas tem circulado um pouco do nosso melhor. Muita gente se encontra, reconhece, é notada, se vê e revê aqui. O jornal tem sido um lugar de apreço, de cortesia, de cobrança e de alento para o futuro que temos a construir, porque nele temos visto estampado o painel multicolorido do que somos; o mosaico que nos formou. Ele tem reunido em si nossas partes despedaçadas em mil fragmentos. Eu estou aqui neste canto de página escrevendo mal traçadas linhas desde quase o princípio. Quero crer que ainda tenha tempo para aprender essa arte e fazê-la com alguma bossa. Quem escreve, normalmente, é para ser lido. E o jornal é a maneira mais direta de chegar ao leitor, especialmente, num país onde o livro ainda é artigo de luxo. Basta olhar a tiragem dos jornais e compará-las à dos livros. Olavo Bilac, afirmou: “o jornalismo é para todo escritor brasileiro um grande bem. É mesmo o único meio do escritor se fazer ler”. Uma grande mudança houve desde que o poeta pronunciou essa sentença, mas ela, em parte, continua ainda verdadeira, em que pese a assustadora evolução tecnológica. A literatura escreveu muitas de suas peças hoje clássicas em páginas de jornais. Depois é que esses textos foram transpostos e reunidos em livro. O periódico sempre foi meio que reuniu vários nomes da literatura que nele tiveram albergue certo, através do folhetim que era veiculado no rodapé da primeira página, prosseguindo nas páginas interiores, separado das notícias por um filete. Que o jornal continue a desempenhar essa função e o nosso Milênio Vip, recolhendo todo o sentimento, o faça por muitos anos, até se consumir o tempo da gente.

Antônio Laért
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