JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Dulcimar Menezes

MATERNIDADE: PULSO DO UNIVERSO

Publicado na edição 102 de Maio de 2010

“Em todo extremo, mesmo no bem, reside uma tensão excessiva que se vinga com sua reação oposta”.
Georg Gervinus

Defina o que é ser mãe? A mais famosa: “Ser mãe é padecer no paraíso”. E não é que é, gente! Ser mãe é antes de tudo contradição. É uso. É abuso. É fazer o bolo. É errar a receita. Mas que receita? Não nos deram a receita! Exigem-nos perfeição... Cobram-nos sabedoria... Que coisa doida!

A natureza nos pede para gestarmos... Gestarmos um filho...Dois...Mais; gestarmos a humanidade... Que importa? Gestar um filho é o mesmo que gestar a humanidade. Acusem-me de ser excessiva. Pois sou mesmo! Se não fosse não seria mãe.
Ser mãe exige excessos nas medidas do amor. É amar a ponto de oferecer-se como casa que acolhe e dá segurança. Se erramos na medida nos transformamos em prisão ou, no outro extremo, em abandono. É amar a tal medida que nos oferecemos como alimento que nutre e fortalece. Se erramos o ponto nos tornamos tóxico que vicia e escraviza, ou, no outro extremo, o seio seco que amamenta a depressão.

Devemos encontrar equilíbrio entre os extremos. Proteger sem abafar. Envolver sem devorar. Ensinar a cair. Ensinar a levantar. Dizer que poder ir. Dizer que pode ficar. Convencer que deve ser forte. Convencer que pode chorar. Saber a hora de dar. Saber a hora de tirar. Quem nunca errou na medida atire a primeira pedra!

Conceber em nosso ventre e em seguida oferecer ao mundo... Repito: Que coisa doida! Vá em frente e acuse-nos, a nós mães, de que somos excessivas. Quero ver cumprir esta vocação sem esta dose certa além da medida de amor que trazemos em nossas entranhas. Este sentimento faz com que materializemos o sentido universal de ser Mulher. A mulher é Mãe! A Terra é Mãe! Deus é Mãe! Definitivamente nada poderá superar a capacidade da mãe para amar o seu filho. O amor do pai alcançará a mesma medida. Nada superará. Isto é fato. O roteiro do universo foi escrito para ser assim: Mãe é amor infinito. Do contrário, há algo errado.

Somos seios fartos que nutre o mundo de devoção! Deixar que suguem a nossa existência não nos parece sensato, pois nossa prole e o mundo inteiro merece que sejamos felizes e realizadas. Mas, os nossos corações...Ah! Os nossos corações... Estes não nos pertencem. Foram convertidos em úteros, para onde, certamente, os nossos filhos poderão retornar, sempre que o descanso for a exigência no decorrer desta exaustiva aventura que é ser gente grande.

Obrigada, filho! Obrigada, mãe! Obrigada, Mães!

Dulcimar Menezes
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