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Colunistas - Sérgio Silva

HISTÓRIA DO DIA DO TRABALHADOR

Publicado na edição 102 de Maio de 2010

No dia 01º de Maio de 1886, 500.000 (quinhentos mil) trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para 08 (oito) horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários. Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais às horas diárias de trabalho, por isso, no dia 05 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 08 líderes presos, 04 trabalhadores executados e 03 condenados a prisão perpétua. Foi este o resultado desta segunda manifestação. A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 03 presos. Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 01º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de 08 horas.

Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 03 de Setembro e é conhecido por “Labor Day“. É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão. No Canadá este feriado chama-se “Dia de Oito Horas“. Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas. Na Europa o “Dia do Trabalhador“ é sempre comemorado no dia 01º de Maio. Em Portugal, o Dia do Trabalhador é da maior importância para o movimento sindical e para aqueles que representa, mas também para todos os que defendem uma sociedade mais justa e solidária; é o dia em que afirmamos os valores do sindicalismo e a necessidade do progresso econômico e social. Todos os anos este feriado é comemorado com a realização de algumas atividades.

No Brasil, até o início da era Vargas (1930-1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituísse um grupo político muito forte, dado a pouca industrialização do país. Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento por possuir influências do anarquismo e mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo. Até então, o Dia do Trabalhador era considerado por aqueles movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como um momento de protesto e crítica às estruturas sócio-econômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente, transforma um dia destinado a celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas pelos trabalhadores a cada ano. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares.

Atualmente, esta característica foi assimilada até mesmo pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical que realiza grandes shows com nomes da música popular e sorteios de até casa própria. Aponta-se que o caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo. Outro ponto muito importante atribuído ao dia do trabalhador foi à criação da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, em 01 de maio de 1943.


Sérgio Silva
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