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Colunistas - Moisés Queiroz

AOS PAIS E MESTRES

Publicado na edição 102 de Maio de 2010

O que é o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)?
É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).

Quais são os sintomas do TDAH?
O TDAH se caracteriza por uma combinação de agitação, dificuldade de atenção e impulsividade:
O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como, “vivendo no mundo da lua“ e geralmente “estabanadas”, não parando quietas por muito tempo. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Quais são as causas do TDAH?
Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.

O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).
Importante é fazermos algumas colocações a esse respeito:

1) Em primeiro lugar, devemos ter o cuidado de observarmos o aluno em relação aos sintomas (agitação, dificuldade de atenção e impulsividade);

2) Entrevistar os responsáveis e verificar se aquilo que é observando em sala de aula, acontece no cotidiano da criança;

3) É bom lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico (a investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada). Hábitos, traços pessoais e históricos médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes);

4) Agitação não é hiperatividade (Há dias em que alguns alunos parecem estar a “mil por hora” e nada prende a atenção deles). Isso não significa que sejam hiperativos;

5) O professor pode ajudar adaptando algumas tarefas amenizando assim alguns efeitos prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração.Vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.

Finalizando, gostaria de fazer algumas considerações aos pais e mestres:

PAIS: A missão de educar pertence a vocês, não deixe para a escola aquilo que cabe a vocês. Lembrem-se, no futuro seus filhos cobrarão isso de vocês.

PROFESSOR: Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Tenha sempre em mente que sua profissão é a mais importante do mundo, pois ela transforma vidas.

BIBLIOGRAFIA
Transtorno de Déficit de Atenção, José Salomão Schwartzman, Ed. Memnon

Moisés Queiroz
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