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Colunistas - Dário Navarro

MENSAGEM

Publicado na edição 103 de Junho de 2010

Ouvi-me... Liberta-me!!!

Dedicatória aos jovens Mageenses no encerramento do centenário
De “Os Horrores de Magé” – 1894 – 1994.

Uma justa homenagem

Ouvi-me... jovens... Ouvi-me!!!
Eu sou Magé!!!
Nasci da convulsão dos tempos
No recôncavo da Guanabara
E trouxe dentro de mim
A voz e a liberdade das cidades.

Eu dei à luz, de Santo Antônio de Sá
A Sapucaia, em tempos de colônia,
Em minhas entranhas.

Eu fui... Teresópolis... Petrópolis... Estrela...
Caxias... Iguaçu... Sumidouro até Três Rios.

Ouvi-me... jovens... Ouvi-me!!!
Hoje só fiquei com vocês.
Meus braços ao céu ergui
E dei o progresso.

Ao clamor meu grito,
Me tornei o pedestal dos homens livres.

Um dia junto a Proença... Abri o caminho a Minas
Do ouro, das Gerais, meu pendão
De glória desfraldei.
Das Minas ao Porto Estrela,
Do Rio fiz o centro
Das economias além do mar.

Dividem-me sem piedade ou medida.
Dividem-me acabando os mangues com o lixo.
Dividem-me negando-me a esperança.

Ouvi-me... Jovens... Ouvi-me
Tenho 445 anos de fé e história.
Tenho 153 anos de organização política.

Eu sou Magé - Mãe destratada...
Terra despojada.
Pretendem tirar minha história,
A honra de ser o sal desta Terra,
Pretendem acabar
com meu nome de glória e grandeza,
Converter-me a terra rebaixada de ninguém,
Tirar meu orgulho, a honra e me cegar.
Matar meus olhos de serra e mar,
Meu sonho de água e lua.
Me querem entregar uma bandeira desmoralizada
E ser só colônia de mercadores.

Ouvi-me... Jovens... Ouvi-me!!!
Antes que seja demasiado tarde.
Convulsa minha voz, naufraga a
Suplicar... socorro!!!
Ouvi-me... Jovens... Ouvi-me!!!
Eu sou Magé, o altaneiro brasão de um povo livre
Asa de condor rodando o infinito.
Eu sou Magé, de tanta glória;
Eu sou Magé, parte importante da Pátria grande;
Eu sou Magé, terra da piedade;
Eu sou Magé, a que marcou o Rio com sua história;
Eu sou Magé de tanta luta e dor;
Eu sou Magé, há 100 anos arrasada;
Eu sou Magé, teu sangue que escorre pelas veias.

Ouvi-me... Jovens... Ouvi-me!!!
Esta é a hora!!!
Eu estou aos pés de Nossa Senhora,
A padroeira Nossa Senhora da Piedade:
Roga por nós.

Libertai-me... Libertai-me!
Meu corpo sangra,
Cada parte é nele uma chaga.
Minhas costas sangram,
São tantas trevas e dor.
O sangue escorre... Escorre
Desce da serra... até o recôncavo,
Clamando pela vida...
Jovens... Não me deixeis morrer!!!

Jovens... Atentai... Atentai
Não há dia sem sol, nem povo sem liberdade.
Só falta de vocês... uma conspiração de amor.
Libertai-me... Libertai-me
E eu vos darei a vida.
E eu vos darei a glória e honra de ser meus filhos!

Dário Navarro
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