JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

CINCO PÃES E DOIS PEIXES

Publicado na edição 104 de Julho de 2010

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer”.
Luis Vaz Camões (1524-1580)


Cinqüenta anos é um tempo de maturação bastante longo para o Amor. Esse sentimento puro e nobre que une duas pessoas, percorre suas próprias estações. Com efeito, no princípio dessa benquerença existe um verão, em que a paixão surge de olhares, sorrisos, de um sentimento em ebulição, da atração, êxtase, do enlevamento. Há depois um outono, ameno, sem muito sol, porém, agradável, cheio de afeto e ternura. Sobrevém então, um inverno com ventos frios, incertezas, medos, dúvidas, dificuldades. Surge por fim, uma primavera com sua delicadeza, flores, frutos, perfumes e campos verdes, trazendo sempre a esperança de que o ciclo novamente recomeçará. Da capo. Papai e Mamãe completam nos dias que correm Bodas de Ouro de Matrimônio.

Passaram por muitas provas juntos, ultrapassaram barreiras, venceram testes e obstáculos e continuam entre nós, fortes e altivos, sempre em busca do equilíbrio, que jamais foi estático, mas dinâmico. Começaram, percorreram e concluíram muitos ciclos, vivendo intermitentes períodos dessas estações nesse cinqüentenário de vida em comum. É realmente uma data propícia para celebrar e reunir os amigos. Esse patrimônio vital de amor; esse capital de graças; essa commoditie especial e valiosa deram base forte à nossa família. Tudo isso revolve muitas lembranças nessa data tão especial. Vemos uma película na tela com uma nitidez que cega os olhos para o que há aqui. Essa união é um sacramento; sinal visível desse Amor, que tem sido alento e aconchego para mim e tantos.

A aragem do Amor renova tudo. Dá brilho às coisas; reveste de cor; ilumina a escuridão; faz com que caminhemos em direção ao sol. É chuva fina e mansa que rega o canteiro e faz tudo florescer. Confere ao espírito um brilho definido; espalha benefícios; torna os amados amantes senhores tão bonitos; dá beleza, gosto e cheiro às coisas; abre uma coleção de possibilidades; espalha uma chama de cintilações desconhecidas, de efeitos maravilhosos. Ah, meu inventário de delicadezas poderia ir muito além, no elogio dessa união. Mas, limitado pelo espaço deste canto de página, consola apenas saber que os tenha ali ao alcance das mãos. Obrigado Pai e Mãe, pela luminosidade que não deixa apenas rastros, mas espaços preenchidos.

Antônio Laért
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui