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Colunistas - Dulcimar Menezes

VAMOS EM FRENTE QUE ATRÁS VEM...

Publicado na edição 104 de Julho de 2010

Vivemos em um mundo de dualidade. Se há a noite, há o dia; Se há doença, há saúde; sombra e luz; dor e prazer; erro e acerto; perdas e ganhos; derrotas e vitórias... Se há sonhos, há realidade. Quando vamos para a vida, vamos pelo sim e pelo não. Se só consideramos a alegria, nos desesperamos na tristeza. Se não confiamos no êxito, nos conformamos com o fracasso. Porém, se só enxergamos o sucesso, a vivência do infortúnio nos desorienta. Equilíbrio é nos mantermos de pé quando o vento sopra contrário à nossa trajetória. Devemos reconhecer-nos a nós mesmos, mas jamais poderemos desconsiderar a força do vento. Reconhecendo o vento, descobriremos em nós mesmos a força para enfrentá-lo. Portanto, equilíbrio não é uma virtude individual.

Equilíbrio psicológico é uma característica, um fundamento na relação entre dois.

O Homem possui em si uma intencionalidade para a busca do equilíbrio em três instâncias: O equilíbrio entre seu eu aparente, que chamamos Ego e o seu Eu superior, que chamamos Self; entre o indivíduo e a sociedade; e entre o ser e a natureza. Como já disse, equilíbrio é resultado de uma relação que precisa atender aos seus dois pólos de demanda. Do contrário, vejamos...

Se na relação entre o homem e a natureza prevalece o desejo do homem o resultado é a devastação ambiental que testemunhamos; se prevalecer o interesse da natureza, o resultado é a devastação humana, pois a nossa provisão de vida vem da natureza e não pode ser diferente. Se consideramos o interesse do homem sobre a sociedade, acontece o crime; Se consideramos o interesse da sociedade sobre os indivíduos resulta a injustiça. E, finalmente, somos o resultado do equilíbrio de forças entre quem desejamos ser e quem precisamos ser. A forma que assumimos na vida depende da solução que damos para o fato de que não existimos sozinhos. O Eu só existe porque existe o outro. Se levar em conta só o que eu quero o resultado é o Egoísmo, em seu formato mais destrutivo, o orgulho. Do contrário, se somente atendemos o desejo do outro nos tornamos frustrados e insatisfeitos e não nos realizamos. Portanto, eu existo e você também existe.

O direito de escolha é um dom de nascença. O que escolho pra mim não me dá o direito de escolher para o outro também, e vice-versa. E, principalmente, quando o outro faz para mim uma escolha que eu desaprovo temos aí o fundamento da violência.

Na análise dos fatos feita por vários especialistas no assunto, identifica-se o desequilíbrio psicológico da seleção de Dunga como a causa da derrota no mundial da África do Sul. Isto porque enquanto uma comunidade imensa de amantes de futebol pedia um outro grupo de jogadores, o treinador tomou como propriedade sua a Seleção Brasileira de Futebol, uma instituição do povo brasileiro. E não estou me referindo a nós que só somos patriotas de quatro em quatro anos, por ocasião da Copa do Mundo e nos rejubilamos com a quantidade absurda de feriados. Estou me referindo aqueles que entendem, torcem o ano todo e esperam a Copa do Mundo como o maior espetáculo de futebol no planeta. Todos estes clamaram por um time que os representassem no campeonato. Dunga escolheu arrogantemente travar um duelo de força com a opinião pública. Não era possível que todos os especialistas em futebol (e não me refiro somente aos comentaristas da grande mídia, mas principalmente ao torcedor comum apaixonado pelo esporte) estivessem errados e só ele certo. Todo ditador é desprovido de sabedoria, pois assume solitariamente a responsabilidade de suas escolhas. Se vence, degusta egoisticamente o sabor da vitória de seus guerreiros.

Porém, se perde, amarga a dureza do trono da solidão. O ônibus da seleção foi mesmo lotado, mas lotado de vaidade pessoal e antidemocrática.

Faltou justamente preencher uma vaga com aquele torcedor brasileiro que sustenta o esporte com sua audiência e faz com que nós, que não entendemos nada de futebol, sejamos brindados de tempos em tempos com este show fantástico de beleza e diversidade cultural mundial que é a Copa do Mundo.
Bem, como vivemos num mundo dual e se existe o mal, existe o bem, o que podemos tirar de positivo disto tudo é que neste momento não corremos o risco de sermos tragados pela fantasia de que somos vencedores, que está tudo bom demais e que por isso nada precisa mudar.

Vamos acordar meus amigos. O jogo da nossa vida continua...

E vamos em frente porque atrás vem... ELEIÇÃO PRA PRESIDENTE.

Ubuntu, Tchocholoza!

Dulcimar Menezes
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