JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Dulcimar Menezes

Agora é a vez do coração!

Publicado na edição 105 de Agosto de 2010

É fascinante ver a história da evolução do homem se repetindo em velocidade alucinante em cada novo ser que nasce.

Todos nascemos de uma explosão de luz que acontece em um encontro de amor entre um homem e uma mulher! De um zigoto unicelular evoluímos até um corpo estruturado para, a partir de sua interação com a terra, se desenvolver até o pensar desmaterializado, abstrato. Mas para isso precisamos acender as lembranças dos desafios superados. Acessar o banco de dados genético e repassar as lições de todos os caminhos percorridos em busca de novas conquistas em direção ao infinito. Somos células, somos vermes, somos invertebrados. Somos peixe que nadamos nas profundas entranhas do universo do ventre materno. No momento do nascimento, somos anfíbios transitamos entre dois terrenos de diferentes naturezas.

Ganhamos a terra. Ganhamos um corpo. Neste encontro entre matérias seguiremos os caminhos dos répteis nos rastejando pelo chão e dos quadrúpedes mamíferos até conquistarmos a posição do homo erectus. É tão lindo ver a criança que engatinha e logo fica de pé. Aprenderemos a fazer coisas como o homo habilis. Através de uma inteligência absolutamente sensorial e motora, nos apropriamos das informações do mundo e assim vamos nos descobrindo sujeitos. Somos homo sapiens, que formando uma imagem mental do mundo nos vemos refletido nela. Então aprendemos a mentalizar e ganhamos uma existência.

Busca-se, então, um sentido para toda esta experiência de viver. Surgem perguntas... Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Para onde vou? Pra que? Como? Por que?... Inteligência Intuitiva, na criança; no homem, o espírito; na humanidade, a filosofia. Segue a vida em busca de respostas. E nesta aventura nos aperfeiçoamos, incompletos que somos. Precisávamos de mais. Quisemos mais respostas. Queríamos provas do que se dizia. Exigimos lógicas. Formatou-se a mente humana. Aprendemos a pensar e a não engolir qualquer balela. Veio Descartes, Newton, o mecanicismo. Iluminismo; Revolução industrial. Chovia tecnologia de produção. Para a produção em massa era preciso consumo em massa. Chegou-se ao “Bum!” da tecnologia da informação. Televisão, Telefonia celular e internet, magia preta e branca ou colorida; mágica pura. Não há mais matéria concreta, somente a energia do dado viaja onipresentemente pelo ar, transformando nossos televisores e computadores em verdadeiros médiuns eletrônicos capazes de captar as vozes do além, além mar, além continente, além planeta, do além dimensão, do além, além... Muito além.

Em termos epistemológicos, a humanidade encontra-se na fase do desenvolvimento do pensamento lógico formal piagetiano, a grande novidade da adolescência. O embate de idéias em busca de sua própria subjetividade. Confronto com as ditaduras patriarcais em busca de autonomia. Chega de patrulhamento, chega de castigo, chega de tirania. Sonho de liberdade. Liberdade de escolher, liberdade de pensar, liberdade de ser. Diversidade de correntes ideológicas reacionárias e revolucionárias. Não quero que ninguém me mande...Não queremos que ninguém nos mande. A humanidade descobriu o poder libertário do pensar puro, mas como o adolescente não se mostrou ainda com habilidade em dar respostas, responsabilidade. Queremos tudo e nos comprometemos com quase nada. Ainda falta amadurecer. A adolescência é o tempo do maravilhoso pensamento abstrato que, comparado ao pensamento mágico da criança pequena, é capaz de construir a realidade. Mas também é tempo de aprender a amar. Ah! Isto ainda não sabemos. Exigimos, devoramos, devastamos, guerreamos, destruímos, traímos, violentamos, matamos... Homens e Natureza. Na sociedade não há mais lugar para tanta tecnologia, não faltam ciências. Também não há mais lugar para tanta doutrina religiosa, não faltam igrejas. E a humanidade continua egoísta, injusta e doente. Fora da Graça. Potente e irresponsável. O que está faltando é Amor. Já cantavam os poetas Paulo, o Santo dos primórdios do cristianismo, e Renato Russo dos nossos tempos que musicou lindamente a letra de Sadio Paulo em sua primeira carta a comunidade de Corinto, que “ainda que eu falasse a língua dos homens, que falasse a língua dos anjos, sem Amor eu nada seria”(I Cor. 1, 13).

Dentre os dons de nascença do Homem estão as quatro inteligências: A inteligência corporal, a inteligência mental, a inteligência emocional e a inteligência espiritual. Dentre elas, a maior deficiência da Humanidade até agora é a inteligência emocional. Somos um composto humano de corpo, mente, emoções e espírito. Como vimos, desenvolvemos bem até agora o corpo, o espírito e a mente. Mas ainda nos sentimos fragmentados, desconectados, corpo para um lado, mente para outro e espírito para depois. Falta o elemento integrador que dará sentido e coesão e unificarão as nossas partes. Chegou o tempo para aprender a amar. Amar a si mesmo, amar o outro, amar o Mistério! É o que falta!

Agora é a vez do coração!

Dulcimar Menezes
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui