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Colunistas - Dulcimar Menezes

FELIZ DIA DE FINADOS

Publicado na edição 86 de Novembro de 2008

Primeiramente, devo esclarecer que o título que introduz este diálogo não tem a intenção de tripudiar sobre os nossos sentimentos ou debochar das dores provocadas pela saudade de nossos entes queridos que, literalmente, por motivo de força maior partiram antes de nós. Pelo contrário, passa muito longe disto. Porém, se o título chamou a sua atenção, muito que bem, pois assim cumpriu a tarefa de convidá-los a esta reflexão simples, mas que pretende conduzir-nos ao consolo da fé.

O dia de finados é precedido pelo dia de todos os santos. Este por sua vez surgiu a partir do costume dos primeiros cristãos de homenagear no dia de sua morte àquele que perdeu a sua vida na luta por não negar a sua fé doutrinária, o mártir. Porém, com o passar dos tempos, por conta da perseguição imposta pelo Império Romano nos primeiros séculos, este número de pessoas exterminadas pela tirania dos poderosos de Roma foi aumentando, aumentando, aumentando...Que não foi mais possível lembrá-los individualmente. Alguns destes indivíduos a história conseguiu prestar a sua homenagem e foram, então, canonizados. Mas quantos morreram no silêncio de seus corações, anonimamente?... Quantos desconhecidos?... Porém. TODOS FORAM SANTOS. Entendo que santo é todo aquele que desperta para uma vida maior, acima da matéria, assentada no amor divino e universal. Assim surgiu o Dia de homenagear todos estes santos.

Daí, também surgiu a idéia de lembrar, mas também de homenagear e fazer orações por todos os mortos. Todas as religiões se fundamentam na vida do espírito e não na vida material. Portanto acredito que esta idéia não fere os princípios de nenhuma religião instituída e muito menos as religiões do coração de cada um. Pelo contrário, faz-nos lembrar deste aspecto do Ser como um composto humano de corpo mente e espírito, dinâmicos em uma unidade funcional. Gosto muito de uma frase de Pierre Teilhard de Chardin, paleontólogo, teólogo e filósofo, ilustre finado falecido em meados do século passado, que diz: “Não somos seres humanos com experiências espirituais. Somos seres espirituais com experiências humanas”. Desta perspectiva a morte deverá ser encarada não com um fim de vida, mas sim um nascimento para uma vida superior. E, todos nós, independentemente da religião que praticamos, estamos na mesma estrada a caminho da vida maior. Uns ainda lutando somente pela vida efêmera e passageira de um corpo impermanente (e não estou dizendo que não devemos usufruir o conforto conquistado pela força do nosso trabalho digno e honesto); Outros já mais despertos para a eternidade do ser, e, portanto, já a postos no “bom combate”. Porém, definitivamente, todos travamos a mesma luta que significa vencermos a nós mesmos nos desafios de nos tornarmos seres humanos melhores, ou, melhor dizendo, nos tornarmos seres espirituais mais bem estruturados para o nascimento ao qual estamos sendo gestados. Portanto, Feliz dia de Finados. Lembre dos seus, ore pelos seus, chore pelos seus...Mas encontre-os vivos em seus corações!

Há muitos anos atrás, na data do meu nascimento, minha avó Luísa me mandou um cartão que continha seguinte mensagem: “Alegremo-nos sempre porque tudo é manifestação de Deus!” Dez dias depois ela renasceu para sua vida espiritual. Eu de minha parte lamentei, mas entendi o recado. Hoje, mais crescida, sou feliz por ela, pelo meu avô Agripino, pelo meu avô Bernardino, pelo meu sogro Geraldo, pelo meu muito amado pai, e por tantos outros personagens importantíssimos da minha própria história! E tenho a certeza que o nosso último encontro nesta existência não se traduziu num “Adeus” e sim num “Até logo”.

Encerro este nosso breve encontro compartilhando umas palavras que li num dos livros de Jean Yves Leloup:
“Observa com atenção o rosto de quem morre, amando... O sorriso inefável, a transparência e, às vezes, a luz, a beatitude que deixaram de ser reféns de um corpo...

Morte, onde está a tua vitória?”.

Que assim seja!

Dulcimar Menezes
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