JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

De sementes e de frutos

Publicado na edição 106 de Setembro de 2010

Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Entre os dois, o tempo de cuidar. No decorrer de três décadas, desde que vim para Magé, observei o surgimento de inúmeros movimentos sociais e culturais no município, tendo participado de alguns. Também li e ouvi sobre movimentos anteriores à minha vinda que mobilizaram a juventude de suas respectivas épocas. Alguns nem chegaram a se concretizar. Outros se formalizaram e tiveram alguma atuação, mas tiveram vida efêmera. Poucos permaneceram. Mas todos tiveram sua função, cumpriram seu papel e obtiveram algum resultado, seja em obras que sobreviveram a eles, seja por abrir e sedimentar caminhos para outras idéias e realizações.

De memória, sem nomes ou datas, posso citar o movimento de funcionários da Fábrica de Tecidos Itatiaia que deu origem à construção do Hospital de Magé, ainda na primeira metade do século passado. E os festivais de música. E as bandas escolares. E os carnavais, até a década passada. Posso citar o movimento desenvolvido pela Secretária de Turismo, bem como a AMA - Associação de Amigos do Meio Ambiente, nos anos 70, que levaram toda uma geração de jovens mageenses a uma visão nova e que, se não causou uma revolução, strictu sensu, criou consciência e trouxe mudanças perceptíveis nas duas décadas seguintes.

Eu própria participei de dois movimentos, com intervalo de cerca de dez anos entre eles, que tinham o intuito de criar, ou recriar, uma biblioteca, para ocupar a lacuna deixada por aquela que se perdeu, destruída por uma catástrofe. Nenhum dos dois chegou a sair dos bem intencionados planos e mesmo a biblioteca que posteriormente veio a ser montada pela Secretaria Municipal de Educação não durou muito tempo, segundo a pouca informação de que disponho no momento. Mas não quero ver esta história como exemplo de fracasso, e sim como um exemplo de que as idéias não morrem, permanecem latentes.

O que me leva a fazer estas considerações, entretanto, são as histórias de êxito. A isto se refere a frase que inicia este texto. Todo movimento em torno de idéias é uma semeadura. Para haver colheita, é necessário o cuidado após o plantio. É o trabalho, a obra, que garante o germinar, o crescer e o frutificar.

Para reconhecer o trabalho de pessoas que sabem a diferença entre sonhar e ter um ideal, e persistiram, é que menciono agora algumas histórias. Como a do Grêmio Musical Mageense que, entre vários projetos, segue formando novos músicos. Ou a da Associação Cultural e Desportiva de Magé, formando atletas que representam Magé e conquistam títulos em campeonatos de karatê, em nível nacional e internacional. Ou a do Magevest, o curso pré-vestibular comunitário que acaba de completar 10 anos. Ou a da Academia Mageense de Letras, prestes a conseguir sua sede própria, aos 22 anos de existência, através do trabalho de seu atual presidente. Ou da conquista alcançada pela direção do Colégio Estadual Agrícola de Magé, no convênio com a UFF, após anos de luta. Todas estas histórias são de dedicação a entidades e instituições sem fins lucrativos, quase todos, exceto o colégio, sem vínculo com o poder público.

Os exemplos mencionados são alguns, de meu conhecimento, em nosso 1° Distrito. Outros existem e existiram, aqui e nos outros distritos. Se contar com ajuda, inclusive do meu tri-colega (como operador do Direito, como colunista do jornal e como acadêmico), o também historiador Dr. Antonio Seixas, posso levantar mais informações sobre o passado. Com relação ao presente, preciso da colaboração de vocês, brava gente idealista. Inclusive, em ambos os casos, para corrigir qualquer afirmação inexata que eu tenha “cometido”. Conto com a sua ajuda.

Neuza Carion
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