JORNAL MILÊNIO VIP - O ROUBO DO SILÊNCIO

Colunistas - Antônio Laért

O ROUBO DO SILÊNCIO

Publicado na edição 87 de Dezembro de 2008

- “Uma palavra pode ser efetiva, mas não há palavra tão efetiva quanto uma pausa bem colocada”.
Mark Twain (1835-1910)

“Quanto mais avanço na vida, tanto mais me convenço que o melhor discurso é o silêncio ”.
Mahatma Gandhi (1869-1948)

Nestes tempos de fácil acesso à informação: músicas, vídeos, textos, sons e imagens, estamos esquecendo de estabelecer uma conexão essencial - o espaço para o encontro com o silêncio. Em nossa cultura contemporânea, o silêncio é como uma espécie em extinção. O homem, por mais que dele se afaste, não consegue viver sem ele; não subsiste sem esse encontro essencial consigo mesmo e com o Absoluto que o silêncio tanto propicia. O delicado equilíbrio que sustenta nossas vidas, fica sob risco, sem esse retorno. É o silêncio que nos volta ao essencial; que nos confere integridade e significado. É nessa intimidade com o silêncio que brota a sabedoria. O alívio de subtrair-se ao barulho - esse estímulo desnecessário - renova-nos. Torna-se cada vez mais urgente resgatar a vida pacífica, tranqüila; reencontrar o ambiente do silêncio; afastar o barulho que vive dentro de nós e fora. Esse encontro ou reencontro é inesquecível. Esse silencioso entrar em casa devolve-nos força, alegria, equilíbrio, paz. Não importa onde se o busca, ou o encontrar possa. Na igreja, na natureza, consigo mesmo; esse encontrar-se no silêncio é restaurador, essencial e confere frescor para ir-se adiante. O ano caminha para seu fim, com o corre-corre que nos sufoca e reduz nosso tempo. Chegamos à conclusão de que aquilo que é demais acaba sendo muito pouco, enquanto que o suficiente é sempre o bastante. Todos sabemos que a escolha diária é que constrói o caminho. Na vida, assim como na música, a pausa é essencial. Cultivemos, pois, o silêncio. Essa maneira de não dizer. Deixar, por vezes, fluir o lento gozo do olhar. O Verbo se fez carne no silêncio. Palavras lapidadas no silêncio carregam maior densidade e calam mais fundo. Se o barulho aborrece, o silêncio cura.

Antônio Laért
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