JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

Quanto riso, oh! Quanta alegria!

Publicado na edição 109 de Fevereiro de 2011

Palhaços, índios e gentis "senhoritas"enchiam salões e ruas, assim como o som de marchinhas e sambas enredo. Era assim. Foi assim o carnaval. O carnaval que se foi. Bons tempos. A folia começava antes, bem antes da "tríade de Momo". A disputa entre tradicionais agremiações empolgava e envolvia o povo nos preparativos: ensaios, fantasias, alegorias. Alegria. No começo o carnaval era do povo. Era o povo quem o fazia, sustentava e usufruia. Mais tarde o poder público passou a participar e patrocinar parte dos recursos, mas não era (e não pode ser) o realizador de eventos. A comunidade, os empresários, as novas gerações o amam - nem conhecem - o carnaval e suas manifestações tradicionais. Em Magé há mais de uma década não acontecem os desfiles de Escolas e Blocos e, nos "festejos" de rua, ouve-se forró e funk. Bailes já não há. Boa parte da população sai da cidade e vai aproveitar o feriadão na praia. Longe vão os tempos de Calombo, ... Não se houve mais falar em Canal, Flor de Magé, Cidade Naval, Refulyer, Butantã, Arranco...

O que aconteceu? Como se chegou a esta situação desoladora? Há esperança de mudança?

Conversamos com Otávio de Faro, mageense que sempre deu o melhor de si por sua cidade, Secretário de Turismo do município no período em que o carnaval de Magé foi considerado o melhor do interior do estado. Otávio foi responsável por carnavais memoráveis, em parceria com o empresariado, as agremiações, os clubes e pouca verba pública. Para ele, a situação de abandono do carnaval é parte dos problemas locais, que são o reflexo da situação global: desencanto com a política, violência, desequilíbrio da economia. Localmente, avalia, há muitos entraves: uma visão conservadora, um grande potencial não explorado ou subaproveitado e a falte de investimentos, de lideranças e de integração da comunidade.

O carnaval é nossa manifestação cultural mais forte, é parte da identidade nacional, vamos deixar que desapareça? Vamos nos diluir na globalização, permitir que nossa identidade seja anulada? O Milênio Vip quer fazer sua parte.

Concordamos com Otávio: esperança há, mas para haver mudança é preciso começar da base: educar e orientar a juventude e preparar novas lideranças envolvidas com a comunidade - que precisa achar seu espaço e fazer sua parte.


Por: Rosinha Matuck e Neuza Carion

Neuza Carion
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