JORNAL MILÊNIO VIP - Os Donos do Carnaval

Colunistas - Rosinha Matuck

Os Donos do Carnaval

Publicado na edição 110 de Abril de 2011

Sempre fui apreciadora e, depois da minha formação, me tornei refém do Carnaval de Magé. Queria ver, queria contar, pois todos vibravam, a festa acontecia. A partir de determinado momento, entretanto, veio o desânimo que foi bilateral: o governo se omitiu, o povo desanimou e Rio das Ostras passou a ser a referência. Lembro-me bem que escrevi isto ainda no jornal JR Notícias.

Depois morreu mesmo. Com o passar do tempo já nem se falava mais do assunto. Ano passado tivemos um leve suspiro do agonizante Carnaval e a animação mal conseguiu contagiar alguns irrecuperáveis carnavalescos.  

Este ano achei que a debandada foi quase total. O destino desta vez foi Cabo Frio e “Bloco do Oi”. Nada contra, cada
um no seu quadrado... Eu mesma fiz uma maratona: assistia e caia dentro dos blocos no Rio - vários - e depois vinha para Magé ver o que aqui acontecia. Aqui observei, fotografei e, assim como me entristeci, também me surpreendi.

Senti uma grande ausência do poder público e, maior ainda, da economia formal que não existiu: quem quisesse almoçar, beber, por exemplo, tinha que necessariamente procurar em outro terreiro. Como fazer carnaval em Magé se os mageenses não gostam de Magé, não apostam em Magé, não investem em Magé? Quem pode investir e os formadores de opinião, estes preferiram encarar 70 quilômetros de engarrafamento e deixar seu dindin na Região dos Lagos...

Mas para minha surpresa, milhares de foliões do povão estavam nas ruas fazendo o carnaval. E a economia combatida, a informal - não me venham dizer que foi proposital - essa sim, trabalhou e ganhou seu dinheirinho, num sucesso também fotografado.

Outra boa surpresa: em Magé, como em todo o Brasil, este ano houve espaço para todos os ritmos: samba, rock, pop, rap, axé - sem preconceitos.

A chuva também não foi empecilho – eu estava lá, assisti e participei do brilho de todos, aqui e no Rio. De parabéns os fiéis e verdadeiros carnavalescos mageenses que fizeram a festa, maravilhosa, que não teve confusão, morte ou briga, pois a polícia estava nas ruas. Quem viu, só acreditou porque viu. Sinceramente, os três dias foram melhores e mais animados que os blocos que antecederam o carnaval, que sem nenhum respeito ao povo desfilaram às duas, três ou quatro da madrugada.

Enfim, e afinal, o bom deste tríduo de Momo foi que o poder público contratou a cria da casa – som, palanques, grupos de pagode e axé, bandas de música - para animar a festa, dando oportunidade a todos de mostrarem seus trabalhos. Ponto negativo foram as desnecessárias fotos do prefeito ao lado de um vereador enfeitando o carro de som. Mau gosto.

Fiquei com a impressão de que quem ficou, brincou e animou a festa foram os eleitores do governo atual – os verdadeiros dono do Carnaval no município... Parabéns! Magé merece...

O resto eu conto no que rolou por aqui!

Rosinha Matuck
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