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Colunistas - Antônio Seixas

LUIZ OTÁVIO E A CADEIRA 27 DA AML

Publicado na edição 110 de Abril de 2011

O movimento em torno da trova literária deve a Luiz Otávio (1916-1977), pseudônimo do escritor Gilson de Castro, a fundação da União Brasileira de Trovadores em janeiro de 1967, com sede no Rio de Janeiro e diversas delegacias e seções em várias partes do país. Hoje, no Brasil, a trova é praticada por mais de 3.000 trovadores que realizam em média de trinta a quarenta concursos de trovas e jogos florais por ano, além de manter um intercâmbio intenso com trovadores de Portugal e de demais países de língua portuguesa.
Gilson de Castro (1916-1977), carioca de Vila Isabel, filho de Octávio de Castro e Antonieta Cerqueira da Mota Castro, formou-se em Odontologia, pela Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil em 1936, e foi por vinte anos chefe da seção de Odontologia do Hospital da Aeronáutica dos Afonsos.
Em 1956, publicou "Meus Irmãos, os Trovadores", coletânea de duas mil Trovas de diferentes autores. De sua lavra ainda: “Saudade, Muita Saudade!” (1946); “Um coração em Ternura” (1947); “Trovas” (1954); “Cantigas Para Esquecer” (1956); “O Meu Sonho Encantador” (1959); “Cantiga de Muito Longe” (1961); “Cantiga dos Sonhos Perdidos” (1964); e, “Trovas ao Chegar do Outono” (1965).
Organizador, com J.G. de Araújo Jorge, em 1960, dos Jogos Florais de Nova Friburgo, com o apoio do Prefeito Dr. Amâncio de Azevedo e do Trovador Rodolpho Abbud, que se realizam, ininterruptamente, desde então e fazem parte dos festejos do aniversário da cidade.
Aclamado “Príncipe dos Trovadores”, no Congresso dos Trovadores e Violeiros, realizado em São Paulo, entre 04 e 07 de setembro de 1960, e agraciado com os títulos de Cidadão Santista, Pousoalegrense e Friburguense. Premiado em mais de 150 concursos literários no Brasil, Portugal e Angola. Faleceu na cidade paulista de Santos, a 31 de janeiro de 1977, vítima de amiloidose.
Ainda em vida Luiz Otávio viu seu aniversário, dia 18 de julho, ser declarado oficialmente “Dia do Trovador”, instituído inicialmente na Guanabara, por Decreto Lei assinado pelo então Governador Carlos Lacerda, atendendo a proposta de Nestor Wanderley, Presidente do Grêmio Artístico e Literário da Vila Isabel, e ao Projeto de Lei apresentado pelo Deputado Estadual Dr. Francisco da Gama.
Finalmente, sai em 1999, de autoria da poetisa Carolina Ramos, a biografia “Príncipe da Trova”, ricamente ilustrada com fotos, desenhos, cópias de documentos históricos, partituras musicais, poesias e a farta lista de prêmios que o biografado recebeu em vida.
Em Magé, a Lei Municipal nº 211, de 06 de julho de 1977, de autoria de Francisco Antonio de Oliveira, o fez patrono de uma das ruas do bairro do Tênis Clube, Rua Trovador Luiz Otávio. Além disso, em agosto de 1990, a Academia Mageense de Letras empossou o trovador e contador Haroldo Rodrigues Castro (1936-2003), presidente da UBT local, na cadeira n.º 27, patronímica de Luiz Otávio, ocupada desde dezembro de 2004 pela poetisa e contadora Iraí Verdan.

Antônio Seixas
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