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Colunistas - Syrhaar Sacramento

UM PAÍS QUE SE DIVIDE ENTRE DEMOCRACIA E DEMONIOCRACIA

Publicado na edição 84 de Setembro de 2008

O que faz a OAB que prega que sem justiça não há democracia? Vai deixar ela, a democracia conquistada rolar pelo ralo? A quem devemos recorrer quando a justiça falha ou é impotente para resolver determinados assuntos que se tornam cada vez mais comuns? E ela, a justiça não tem “base legal” para resolver, ou mesmo pode estar entregue às interpretações de juízes incompetentes, inescrupulosos, corruptos e ou comprometidos? “Base legal” essa que deveria ser constituída ao judiciário por parlamentares que cada vez mais estão envolvidos com os esquemas de corrupção em: Um país que até partidos políticos inteiros se vendem a governos para dar apoio em troca de cargos políticos em nome da governabilidade. Um país em que alguns partidos políticos estão se tornando verdadeiros sindicatos do crime organizado, acoitando políticos corruptos e ou indicando para cargos públicos políticos desmoralizados que não se reelegem. Um país em que se fazem denúncias de que o partido do governo está envolvido com grupos de traficantes e terroristas e não se fala mais na coisa, como se isso fosse caso corriqueiro e normal de ocorrer. Um país em que indivíduos praticam crimes de desvios de verbas públicas, verbas na maioria das vezes que seriam usadas na área social e seriam usadas para educar crianças que crescem sem perspectivas de futuro se marginalizando e muitas das vezes se matando em “guerras do tráfico” em disputas por bocas de fumo, ou ainda em troca de tiros com a polícia. Um país em que um chefe de família cumpridor de seus deveres sai de casa para trabalhar com medo de não voltar, pois as ruas estão perigosas e violentas e sacrifica-se uma vida inteira para criar e educar um filho e em muitos casos perdem os mesmos em assaltos ou até mesmo em troca de tiros entre policiais e bandidos atingidos por balas perdidas. Um país em que grupos de marginais colocam a premio cabeça de policiais, agentes penitenciários e até juízes ou quem quer que seja que contrarie seus interesses. Um país em se que arrecada milhões com mega sena e loterias com objetivo de se “ajudar o esporte” enquanto nossos atletas são humilhados por não terem verba suficiente de treinamento. Um país em que se criam causas para amenizar os efeitos da violência urbana e desviar a atenção sobre os maiores criminosos que são os indivíduos que roubam as verbas que seriam usadas para dar futuro a pessoas carentes que caem na criminalidade por lhes faltarem perspectivas. Indivíduos esses que deveriam estar presos e sendo acusados de genocídio ou crime contra a humanidade. Um país em que se cria a lei do desarmamento em que se recolhem as armas somente dos que não tem a intenção de usá-las, deixando os marginais cada vez mais na certeza de que ao atentar contar o cidadão, não encontrará resistência. Um país em que comprovadamente a justiça só é eficiente para indivíduos que não podem pagar os “melhores” advogados, aqueles que conhecem as “brechas da lei” para manter o infrator nas ruas. Um país em que se o indivíduo é “pego” pelo bafômetro com o mínimo de álcool no sangue vai para a cadeia, perde o seu direito de conduzir veículos enquanto indivíduos inebriados pelo poder são flagrados matando ou mandando matar e não lhes acontece nada. Um país em que as pessoas poderosas não ficam presas nem um dia, como em caso de homicidas confessos, enquanto outras que roubam um simples pote de margarina por estarem com fome são jogadas e esquecidas em celas no meio de bandidos perigosos. Um país em que o indivíduo atropela e mata, muitas vezes em atos irresponsáveis apesar de conscientes, simplesmente tem de pagar algumas cestas básicas e ou varrer ruas durante algum tempo e não é preso. Um país em que o STF libera ou tem de liberar para concorrer a cargos públicos, por força da “lei” que é feita muitas vezes por parlamentares que estão envolvidos nos esquemas de corrupção, esses mesmos parlamentares com ficha suja na justiça. Um país em que o foro privilegiado vai contra uma das principais leis da constituição, que é a da discriminação, sim, onde o cidadão comum é discriminado perante a justiça que julga em foros diferentes ele o cidadão comum, de políticos e pessoas que ocupam cargos e funções públicas. Em todos os casos acima a OAB é o PRINCIPAL FISCAL e FIEL DA BALANÇA, pois ela é a que concentra as cabeças pensantes que fazem nossas leis, a interferência dela poderia ser o principal fator de se fazer a diferença. Escrevi este trecho no dia dos pais, dando graças por não ser um, pois estaria envergonhado de deixar um país rico como este com péssima perspectiva de futuro para meus filhos. Pois do jeito que a coisa vai degenerando e generalizando-se no Brasil não vão sobreviver muitos homens honestos em futuro próximo. Syrhaar Sacramento Jorge.

Syrhaar Sacramento
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