JORNAL MILÊNIO VIP - A QUE ATRIBUIR TANTO DESCASO A MAGÉ?

Colunistas - Syrhaar Sacramento

A QUE ATRIBUIR TANTO DESCASO A MAGÉ?

Publicado na edição 87 de Dezembro de 2008

Seria perseguição política? Por Magé no século XIX no pós-golpe republicano ter sido uma cidade ainda dominada por revoltosos que apoiavam a Monarquia? Pois se repararmos bem no que realmente toca aos que aqui tem o domínio do poder o que lhes interessa é ficar rico e “dane-se Magé e o seu povo”, que é ordeiro e trabalhador, inclusive submetendo-se e sujeitando-se a uma situação de degradação do município que abaixo descrevo.

Uma cidade praticamente ligada ao Rio de Janeiro e parece que estamos no sertão onde o povo é controlado por coronéis sem direito a nenhum atendimento decente. Nós, a apenas uns 15 km de uma metrópole como o Rio de Janeiro em linha reta através da Baia da Guanabara, ou 50 km por terra. Perdemos quase tudo no que se refere ao atendimento público, como por exemplo, até a famigerada Receita Federal que daqui só arrecada. Aqui embaixo de praticamente todas as cachoeiras das serras que nos circundam, até água nos falta e a pouca que temos necessitamos de energia elétrica para que chegue às caixas e é cara, pois a incompetência da CEDAE em cobrar os que não pagam faz-nos pagar por eles daí o alto custo que penaliza os que pagam.

Num esvaziamento progressivo atualmente nem hospital temos mais, se alguém por aqui passar mal a ponto de necessitar de um atendimento de emergência como de um pronto socorro para uma entubação que seja, estará irremediavelmente condenado à morte, até nosso pequeno e humilde hospital que poderia prestar-nos o mais simples socorro foi demolido para a construção de outro que tem tido a sua inauguração adiada sistematicamente e nesse entre tempo quem depender do mínimo de atendimento para sobreviver por aqui estará condenado à morte como descrevi acima. Nem uma injeção, medir pressão ou o simples passar um soro, não temos mais hospital para tal procedimento.

Nem farmácia 24hrs temos mais. Se uma criança tiver uma febre na madrugada, nem local para comprar uma aspirina existe.

A Casa de Saúde N. Sª da Piedade que foi durante anos referência em atendimento, inclusive de traumato-acidentados, com uma estrutura de fazer inveja a muitos hospitais de grandes centros com suas três salas cirúrgicas, num ato de perseguição política implacável está fechada à beira da falência, pois o Poder Público faz de tudo para que feche definitivamente as portas, não pagando nem o atendimento que ela faz aos necessitados que não tenham dinheiro para pagar passagem para fora daqui, ou influencia política para conseguir uma ambulância para uma remoção para eventual atendimento fora. E quando nos dirigimos a um hospital de outro município para “mendigarmos” atendimento, nos envergonhamos sem ter o que responder quando perguntam o que o poder público daqui faz com o dinheiro da área de saúde. E por falar nisso por onde andam as caríssimas ambulâncias do SAMU equipadas com UTI móvel que para aqui foram destinadas?

Temos uma posição geográfica invejável praticamente a cidade mais eqüidistante das outras do grande Rio de Janeiro, se levarmos em conta Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Nilópolis, Belford Roxo e o próprio Rio de Janeiro, ainda as Serranas como Teresópolis, Petrópolis e Friburgo. Nós mageenses estamos praticamente no caminho Norte/Sul de ligação entre quase todas elas. Estamos também no entroncamento das mais importantes rodovias que ligam o Sul do Brasil ao Nordeste, caminho mais viável entre os portos do Sudeste e Sul.

Estrategicamente somos referência para a construção de um grande hospital de atendimento de acidentados pela nossa posição geográfica e não dá para entender porque constroem grandes hospitais em lugares que não tem essa importância ou necessidade estratégica, nos deixando a desejar nesta área com cerca de 100.000 habitantes sem o mínimo necessário... Não adianta ter plano de saúde se o primeiro atendimento de emergência não acontecer em tempo hábil, pode ter o melhor plano se saúde do mundo que morre sem os procedimentos básicos de emergência que só podem ser feitos dentro de um pronto socorro e feito por médicos...

Sou obrigado a deixar essas perguntas no ar... “Será que vai ser preciso morrer alguém importante pelos motivos acima para que as autoridades se dêem conta disso? Porque não nos dão a importância que realmente temos? Porque as pessoas que têm força política, financeira e empresarial não interferem para mudar esse estado de coisa? Os que aqui se enraizaram e formaram família vão querer deixar essa herança de município decadente para seus filhos e netos?” Esperamos que os segmentos da sociedade mageense que tem poder para tal reajam à situação!

Syrhaar Sacramento
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