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Colunistas - Neuza Carion

O QUE SERÁ DO AMANHÃ?

Publicado na edição 112 de Junho de 2011

Mais uma vez se aproxima o período de comemoração do aniversário da nossa cidade, nosso eterno tema, e pretendia usar este espaço para falar de seus cantos e encantos. Mas ouvi rumores de que grandes mudanças estão a caminho: fala-se de um aumento populacional de proporção gigantesca num prazo muito curto – Magé atingiria a marca de 750 mil habitantes, ou seja, mais de três vezes sua atual população,  em quatro ou cinco anos -  suponho que por conta da contratação de mão de obra para a refinaria de Itaboraí e para as obras do Arco Rodoviário.

Desconheço a fonte e a origem das informações, creio que deve haver algo de fantasioso, no mínimo alguma distorção, algum equívoco, mas a idéia de um crescimento sem que haja tempo para planejamento e ordenamento me fez lembrar – outra vez! – de algo que escrevi exatamente em junho de 1987.

O texto abordava as dificuldades com respeito à educação, ao acesso à cultura e à falta de oportunidades de trabalho enfrentadas na época e muito do que foi dito 24 anos atrás lamentavelmente ainda é verdadeiro - embora tenha havido alguns avanços - e mereceria debate, mas vou reproduzir aqui apenas o que diz respeito à reflexão necessária neste momento, sobre este fato novo.

“Temos o privilégio de ser uma cidade pequena. Outras pequenas cidades, no Brasil e no exterior procuraram sua própria identidade e, num esforço da comunidade, encontraram seus caminhos a partir de seus próprios recursos e possibilidades, destacando-se pelo grau de desenvolvimento que atingiram.

Temos o privilégio de ser uma cidade pequena. Apesar das grandes transformações que vivemos – em “beat” acelerado – no nosso século, do avanço tecnológico e da comunicação de massa despersonalizando a aldeia global, ainda temos quintais, revoadas de pássaros, conhecemos nossos vizinhos – e nos importamos. Por sermos uma cidade pequena, com ritmo bem menos acelerado, temos o poder de observar, controlar e tomar os rumos que nos interessam. Os mais bem preparados, os que tiveram a sorte de ter uma educação formal bem dirigida, cuja vivência os levou a uma visão mais esclarecida, têm a responsabilidade de transmitir aos mais jovens e mais desprotegidos a compreensão do mundo que eles herdarão.

A opção é a violência incontrolável e indiscriminada, a massificação, a indiferença, a desesperança.

Não é isto que queremos para nossos filhos.”

Agora, noutro século e noutro milênio, transformações cada vez maiores e mais céleres, já preciso me preocupar também com os netos. Mas ainda tenho esperança.

Neuza Carion
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