JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Falar Apenas o Essencial

Publicado na edição 112 de Junho de 2011

  • “Quem muito fala, muito erra e muito enfada”. (dito popular)

  • “Os oradores procuram compensar  a falta de profundidade aumentando a duração do discurso”. (dito  francês)

  • “Sê breve em teus raciocínios, que a ninguém agrada seres longo”. (Miguel de Cervantes)

  • “Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar  e esperar”. (Eduardo Galeano)Tenho visto como falam pelos cotovelos em alguns ministros. Falam tanto, explicam tanto, tergiversam tanto, se perdem tanto,  que parecem  lançar  dúvidas sobre a  eficácia  da  Palavra de Deus  sem o concurso de sua ajuda. 
Com contida arrogância e soberba, atribuindo-se, muitas  vezes,  mais autoridade que possuem, assumem o púlpito ex-cátedra,  tornando-se deuses do tempo. Derramam-se  além do razoável, estendendo o tempo pra lá do necessário, desbordando do  sensato  para  emitir  idéias, sons e coisas muitas vezes desagradáveis e totalmente desconectadas.  O ditado popular  cunhou a  expressão: ‘até  10 minutos é Deus que fala, depois é  o diabo’. 

Dessas  intervenções  fica  para os ouvintes apenas  a caricatura de que o ministro excedeu-se. Sacrifica-se, sem parcimônia, em nome desses  excessos a mensagem ou parte dela. Tenho pensado no assunto: falar muito, pouco ou apenas o essencial ?  A Palavra de Deus é eficaz  por si só e  prescinde do concurso de ministros para o seu entendimento. É interessante notar dois extremos da mesma questão: de um lado, aqueles que falam muito e longamente e de outro aqueles que falam pouco e de maneira incompreensível, como os estrangeiros que não dominam o idioma. Curioso, é que a Palavra de Deus expandiu-se pelo mundo, exatamente, pela atividade de missionários que a pregaram, desconhecendo o vernáculo e com enormes dificuldades no idioma. A Palavra de Deus, mesmo assim, expandiu-se e ganhou adeptos e  fiéis. Muitas vezes dá vontade de ir embora, mas acaba-se ficando mesmo aborrecido. Esses alongados ministros cometem o pecado do excesso e da gula na exposição do seu entendimento, esquecendo-se que na multidão de palavras, nem sempre  há bons conselhos. O prazo razoável é um conceito bastante compreensível para o homem médio.  É isso que se deve buscar.  O homem desse século XXI vive  sob  o influxo  do imediato,  dispondo  de pouco tempo para tudo.  Necessário se faz, portanto, falar pouco, mas atingir o coração. Quem modera os lábios é sábio e prudente. O preparo prévio sobre o que se vai falar e sua conexão com a vida mostra-se essencial para que a gota  de  mel  seja derramada  e adoce  a vida  daqueles que aspiram  uma palavra inspiradora e seminal. É necessário aproveitar-se com parcimônia do tempo que as pessoas generosamente destinam para ouvir a Palavra e, nessas ocasiões, jamais abusar dele. Usar de brevidade. Não impor aos ouvintes nenhum fardo, além do indispensável. Nesse terreno deve-se ter em consideração o tudo é permitido, mas nem tudo convém. Nem tudo edifica (1 Cor 10,23-24). Ser doce e afável. Seduzir com palavras suaves e persuadir tocando com encantamento o coração dos ouvintes. Esse parece ser o caminho.  Que assim seja!

 

Antônio Laért
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