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Colunistas - Felipe Augusto dos Santos

O JORNAL “GAZETA DE MAGÉ” E A REFLEXÃO HISTÓRICA

Publicado na edição 112 de Junho de 2011

No mês em que Magé comemora um momento importante de sua autonomia política: a elevação à categoria de Vila, ocorrida em 9 de junho de 1789, nada melhor do que propor uma reflexão sobre sua História.

Inicialmente, faz-se necessário ressaltar que a presente reflexão não tratará de Cristóvão de Barros, Simão da Mota e outras polêmicas, nem tampouco das origens históricas de Magé. O caminho proposto passa, na realidade, por fontes da imprensa ligadas ao passado do município.

Mas onde encontrar essas fontes?

Uma boa dica é a Biblioteca Nacional, mantenedora de acervos preciosos. Inclusive, lá é possível encontrar, na Seção de Periódicos, diversos jornais mageenses (muitos estão microfilmados, o que facilita o acesso). 

Dentre os jornais do acervo, o mais antigo é o Gazeta de Magé, datado de 1903. Apesar da Biblioteca Nacional possuir apenas duas edições desse jornal (número 1 e 3), ele configura como uma importante fonte sobre a cidade de Magé no início do Século XX. 

Publicado quinzenalmente e dirigido por Alfredo Neri, o jornal se auto-intitulava um “periódico destinado à defesa dos interesses do município de Magé”. Em seu conteúdo era possível encontrar diversas seções: expediente, editorial, noticiário, falecimentos, passatempos, charadas, literatura e anúncios comerciais. 

A propósito, esses anúncios não eram somente de empresas do município. Muitos anunciantes do jornal estavam localizados em Niterói ou no Distrito Federal (Rio de Janeiro). Um deles, por exemplo, a “Alfaiataria Barra do Rio”, fazia questão de frisar aos seus clientes: “Não confundam a nossa Casa com a dos colegas que em tudo nos procuram imitar, prevenimos que a Barra do Rio é a única Casa que tem três portas”. 

Porém, o que mais chama atenção no conteúdo do jornal é sua abordagem política. Logo na primeira edição, em um editorial intitulado “A nossa Atitude”, o jornal faz questão de ressaltar a “importância da imprensa nos países civilizados” e que “faltava em Magé este poderoso elemento de progresso e a lacuna que se notava neste município está preenchida com a saída [o surgimento] deste periódico”. 

Nesse sentido, a proposta de reflexão sobre a História da cidade e seu futuro (citada anteriormente) encontra eco num alerta que o Gazeta de Magé assinala já no início do Século XX: “A nossa independência [do jornal] das facções que nele se disputam a primazia da política será completa: na luta travada entre os diferentes agrupamentos não nos envolveremos no sentido de apoiar as pretensões deste ou daquele. Oh! Nós bem sabemos o que querem essas facções: o amor da Pátria não lhes dirige os passos, não as move à luta; é o interesse pessoal, a ambição pessoal de cada um dos seus membros que os incita a prática das maiores vilanias e das baixesas mais dolorosas. Íntimos amigos ontem, são ferozes inimigos hoje, ao passo que adversários da véspera coligam-se repentinamente, para esmagar antigos e dedicados correligionários. Não nos seduzem, antes nos repugnam os meios e as armas de que se utilizam esses que exploram o fértil, mas traiçoeiro e ingrato campo da politiquice. Podem ficar tranqüilos os mageenses e se dissiparem todos os seus receios e prevenções, afirmamos solenemente que jamais nos afastaremos da linha de conduta que ora nós traçamos”.  

Detalhe: o jornal é do ano de 1903. Qualquer semelhança não é mera coincidência... Porém, faz-se necessário lembrar que o exercício da reflexão histórica motiva a transformação da realidade. Um olho no retrovisor e outro no caminho a percorrer!

 

Felipe Augusto dos Santos
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