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Colunistas - Gustavo Meirelles

446 anos de historia, o que temos a Comemorar ?

Publicado na edição 112 de Junho de 2011

O desbravamento da região de Magé data dos primeiros tempos coloniais do Brasil. Em 1565, após a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, Simão da Mota é agraciado por Mem de Sá com uma sesmaria e edifica sua moradia no Morro da Piedade, próximo do qual, ainda hoje, existe o porto de mesmo nome, a poucos quilômetros da atual sede municipal. Alguns anos depois, Simão da Mota, com outros portugueses e inúmeros escravos, transferiu-se para a localidade Magepe-Mirim, de onde se originou a atual cidade de Magé. Na época, viviam na região índios da tribo dos Tamoios, os quais não restam mais vestígios. A povoação foi elevada à categoria de freguesia em 1696. Próximo também desenvolveu - se, a partir de 1643, a localidade de Nossa Senhora da Guia de Pacobaíba, que foi reconhecida como freguesia em 1755 Centro de Magé.

Devido ao esforço dos colonizadores e à fertilidade do solo, Magepe-Mirim e Guia de Pacobaíba gozaram de uma situação invejável no período colonial. Tanto numa quanto noutra, o elemento negro, introduzido em grande número, muito contribuiu para o desenvolvimento da agricultura e elevação do nível econômico local. Em 1789, Magé foi elevada à categoria de vila, obtendo, assim, sua emancipação, em 7 de junho de 1789, e instalação, em 12 de junho do mesmo ano, com território constituído de terras desmembradas do município de Santana de Macacu e da cidade do Rio de Janeiro, inclusive as ilhas do arquipélago de Paquetá, na Baía de Guanabara. No ano de 1810, foi à localidade tornada Baronato e no ano seguinte, elevada a Viscondato. Em 1857, foram lhe atribuídos foros de cidade. 

Viajando no tempo encontramos uma cidade com sua historia desmantelada, aqui foi construida a Primeira Estarda de Ferro da America Latina, inaugurada, em 1854, a Estrada de Ferro Barão de Mauá hoje virou canteiro de obras, quando deveria gerar renda para comunidade em torno, recuperar a autoestima da população através da exploração do turismo. Em nossa linda Magé foi construida a primeira indústria têxtil do Brasil, hoje não temos frentes de trabalho para todos, não temos mão – de – obra qualificada, o COMPERJ bate a nossa porta, são 22.000 vagas de emprego, no entanto, o poder publico não conhece a palavra empregabilidade, prefere conjugar o verbo escravizar, manipular entre outros.

Somos priveligiados, posso garantir que poucas cidades possuem o patrimônio Histórico e Ambiental que Magé possui, não precisamos ter 35% da nossa população vivendo abaixo da linha da pobreza, não precisamos ter parte do nosso territorio entre os piores em desenvolvimento humano do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, infelizmente, por mais que lutamos, Magé é motivo de piadas entre nossos vizinhos, nosso povo tem predios mais não tem escolas, muitos não tem voz e a maioria tem medo.

Dia 09 de junho de 2011, o amor da minha vida completa 446 anos, mais tenho duvida se tenho que comemorar, hoje vou apenas agradecer a população que apesar de sofre com as arbitrariedades e os desmandos do poder publico local continua lutando por dias melhores. Vou agradecer aos funcionarios publicos da minha cidade que apesar de serem perseguidos, fazem a maquina publica respirar. Agradeço de forma fraterna, a todos os Mageenses que assim como eu, acreditam que a nossa população precisa muito mais do que Pão e Circo. 

O PRESENTE É A CHAVE PARA O FUTURO. SÓ PRECISAMOS DECIDIR, SEREMOS VÍTIMAS OU CUMPLICES ?!?

Gustavo Meirelles
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