JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Izaura Hart

GRANDIOSIDADE DE UM JUIZ

Publicado na edição 113 de Julho de 2011

Lendo a coluna “Em nome de Deus” do Jornal Extra de domingo dia 03 de julho, da autoria do Vice-Presidente da Rádio Rio de Janeiro  Gerson Simões Monteiro, quando ele relembra a decisão do Juiz João Baptista Herkenhoff, da 1ª vara Criminal de Vila Velha – ES, isto no ano de 1978, não pude evitar a emoção.

Lembrei que há alguns anos atrás o nosso Jornal “Milênio Vip”, exibiu em sua capa no mês de maio,  a foto e o pensamento do Juiz da vara Criminal lotado naquela ocasião em Magé, onde ele pedia desculpas às mães que desesperadas o buscavam para libertar seus filhos presos e que nem sempre podia atendê-las.

É que graças a Deus, enquanto muitas pessoas detentoras do poder passageiro do mundo se jactam por possuí-lo, tornam-se criaturas arrogantes e prepotentes, algumas incapazes mesmo de entender a pobreza ou a limitação de certas pessoas, outras  aproveitam a chance desse mesmo poder para mostrar aos que tomam conhecimento de suas atitudes , que  estão de posse de algo temporário, mas continuam sendo criaturas humanas e que aproveitam o destaque que possuem para  exemplificar o Cristianismo. Que entre Jesus, o crucificado e Pilatos que lavou as mãos, ficam com Jesus, o Grande Vencedor, vendo naquele que “não quis se comprometer” o grande derrotado que saiu da vida pela porta falsa do suicídio. 

O Juiz João Baptista, com sua sentença  libertou Edna, uma jovem que havia cometido um erro chamado “menor” com as seguintes palavras: “A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os  sete palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo; por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si, mulher diante da qual este Juiz deveria se ajoelhar, numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré natais, espera pelo filho na cadeia. É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo tão injusto com forças para lutar, sofrer e sobreviver. Quanta gente foge da maternidade; quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas; quando se deve afirmar ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais; quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si. Este Juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua Mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão. Saia livre, saia abençoada por Deus, saia com seu filho, traga seu filho à luz, que cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, algum dia cristão. Expeça-se incontinenti o alvará de soltura.”

Este é o poder trabalhando pelo amor e por um mundo melhor, curvando-se diante da infeliz e tratando-a da mesma forma que trataria  a uma  chamada “dama da sociedade”!
Precisamos acreditar que este mundo tem jeito!
Izaura de Azevedo Hart
 

 

Izaura Hart
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