JORNAL MILÊNIO VIP - EM NOME DO PAI

Colunistas - Dulcimar Menezes

EM NOME DO PAI

Publicado na edição 83 de Agosto de 2008

Nasce uma criança. Está viva. Recebeu a luz da vida. Deverá receber um nome. Como será este nome? Um primeiro nome a identificará e conterá em si uma profecia. “Quero que meu filho se chame Pedro e seja forte com uma rocha”; ou “Quero que se chame Gabriel e que seja um anjo em nossas vidas trazendo boas notícias”, ou ainda “Ela se chamará Letícia e nos trará muita alegria”. O primeiro nome sempre traz embutido um desejo.

Mas não basta um nome. É necessário um sobrenome que indique as suas origens e tradições familiares...”-Quem é você? – Eu sou fulano. – fulano de que? – Fulano de tal? – Você é filho de quem?...” Quem jamais passou por situação semelhante? O sobrenome é a nossa referência na vida social. O homem não nasce humano ele se torna humano. E a primeira diferença dos outros animais que nos fará capazes de nos humanizarmos é o fato de possuirmos mãe e pai. Este é o fundamento do sobrenome: diz quem é nossa mãe e nosso pai.

O nome da mãe é inconfundível, incontestável, atestado pelos médicos na maternidade e confirmado pelo olhar público que viu aquela barriga crescer. E o nome do pai?

Este já não é tão simples assim, já possui uma peculiaridade de complexidade. O pai oferecerá um nome àquele a quem reconhecer como seu filho. Para isso não bastará a palavra da mãe ou de quem quer que seja. Mas antes de tudo estará em jogo a capacidade do homem para amar um filho que ele reconheça como seu.

Portanto a paternidade é algo muito maior do que se pensa. Ser pai é ser capaz de reconhecer e amar um filho incondicionalmente a ponto de oferecer-lhe o seu nome, não como objeto de uma fabricação mecânica, mas como sujeito do encontro entre dois desejos, pois todos os filhos (salvo em raras exceções) são frutos de um momento de amor entre um homem e uma mulher.

Dizem por aí que o amor incondicional é uma prerrogativa feminina. Não compactuo desta idéia, pois acredito que Ser pai e Ser mãe é ser capaz de amar incondicionalmente. A meu ver, tratar o amor de mãe como a maior representação de amor entre os homens é mais uma vez colocar na conta afetiva das mulheres a vida dos filhos e a culpa sobre as suas escolhas na vida. Quantas de nós ainda hoje se culpam por trabalharem fora de casa e não imaginem que são poucas!). Somos mulheres e (sabemos o tamanho do amor que pulsa em cada célula do nosso corpo pelos nossos filhos (e não imaginem que são todas!). Porém, conheço homens que se tornaram verdadeiros pais por alcançarem a plenitude do amor incondicional pelos seus filhos reconhecendo-os como seus, mesmo que nenhuma escritura atestasse isto perante a sociedade, mas assegurando aos seus filhos muitos amados, no íntimo de suas relações, que jamais estariam sozinhos, mesmo na sua ausência física. Acredito que seja isto que Jesus ensina aos cristãos e a toda a humanidade quando nos orienta a reconhecer Deus como nosso Criador sim, mas a chamá-lo de PAI.
A todos os pais que deram um nome a seus filhos, assegurando-lhes a vida e a dignidade, muitas vezes abdicando de prazeres efêmeros da vida em nome da paternidade, as minhas singelas homenagens. Serei sempre admiradora dos homens de honra!
Vocês serão sempre os nossos Heróis!

Ao meu pai Bernardino a minha eterna gratidão pelo nome que me deu e que me orgulho em exibir.

FELIZ DIA DOS PAIS!

Dulcimar Menezes
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