JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

ESCOLHER O CAMINHO

Publicado na edição 113 de Julho de 2011

 - “Tudo é imperfeito, se comparado com o que a gente pensou”. 
Fernando Pessoa (1888-1935)

- “Seja qual for o caminho escolhido, mesmo o de palhaço, a pessoa tem que estudar  muito”. 
Renato Aragão

- “O segredo da felicidade é fazer do seu dever o seu prazer”. 
Ulisses Guimarães|(1916-1992)
- “Alcançou muito sucesso aquele que viveu bem, riu com frequência e amou muito”. 
Bessie Anderson Stanley

Guardei  tanta  coisa  para  um dia falar  sobre esse  assunto e quando fui convidado  pela  escola de minha filha  a dizer algo  sobre a profissão de advogado, na mesa estava literalmente  nu, vazio, com nada, sem tudo. O evento do qual participei, é conhecido como Mundo do Trabalho. Na ocasião,  profissionais  em diversas  áreas de  atuação são chamados  a  dar  seu testemunho,  em auxílio àqueles  jovens que se encontram  num momento tão difícil pelo qual outrora nós também já passamos.  Com efeito, escolher uma profissão, nessa quadra da vida, não é tarefa das  mais  fáceis.  Então, lá  fui eu.  Minha filha,  que  quer  ser  advogada,  estava  na  audiência  atenta ao que iria  dizer.  Além do que ela diariamente  vê  e  nota sobre  a profissão do pai,  naquele momento, desejava ter  palavras  inspiradoras  para todos  quanto  estivessem  precisando de uma  luz, sobre  o caminho no qual irão caminhar, inclusive ela.  Iniciei dizendo que o primeiro vestibular que fiz  fora  para o curso de Farmácia, no qual, felizmente, fiquei reprovado.  No ano seguinte então, fiz Direito, quando passei para a UFRJ, onde conclui meu bacharelado.  Fiz o registro de alguns sinais  que, para mim, poderiam, identificar no interessado  a confirmação de estar no caminho certo:  aqueles  que gostam de defender e tomar  partido dos colegas;  que gostam  de  jogos de estratégia;  que  apreciam as  artes: teatro, música, cinema, literatura;  que gostam de ler; que falam e argumentam com desenvoltura. Esses  talvez  tenham habilidades  portáteis  suficientes para caminhar no caminho. A profissão, esclareci, é uma “amante ciumenta” que exige muitas renúncias.  Deixei claro  que  não existem  resultados  imediatos. No Direito, só se colhe com grande  persistência. Essa profissão, que é ciência e arte, privilegia a experiência. Os  resultados podem ser  muito bons, mas permanecer caminhando, sobretudo, nos altos  e baixos da advocacia, não é tão fácil assim.  O impulso para  esse  ofício jamais pode nascer apenas da vontade de  ganhar dinheiro e construir uma carreira. Não, isso é apenas conseqüência de todo um processo de  aperfeiçoamento. E quem vai nessa direção de  caçador  de recompensas fáceis, não  consegue  esticar  tanto a corda. A certa altura acaba forçado a reconhecer  que  perdeu o jeito para o ofício; que algo  evaporou de si  e  abandona  a profissão. Algumas coisas nesse mundo têm que trazer encantamento, paixão, vibração, vida. O exercício desse ofício pressupõe  abertura  para  essa beleza. E quem a encontra na rotina dos dias,  achou tudo. Além da persistência, existe  também o componente sorte, um elemento aleatório importante: estar no lugar certo, naquela hora exata em que o clik  das  coisas  ocorrem. Tudo o mais vem  depois, com estudo incessante, muita transpiração, alguma inspiração, foco, integridade, ética  e honestidade.   

Antônio Laért
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