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Colunistas - Dulcimar Menezes

Nota de Eterna Gratidão

Publicado na edição 114 de Agosto de 2011

Hoje estamos aqui, familiares e amigos reunidos, para celebrar e honrar a Deus por mais um ano de vida de Maria Verônica Vieira da Silva e Silva, a dona Verônica. Desde já peço desculpas se a emoção por vezes embargar a minha voz, pois esta mulher é minha mãe, a quem tanto amo. Mas não se trata de uma data simples que se repete todos os anos. Trata-se da celebração de 70 anos de vida. Diz um provérbio chinês que a Longevidade é a maior expressão de sabedoria. O grande poeta português Fernando Pessoa já nos disse que “Navegar é preciso. Viver não é preciso”. Por isso, é mesmo muito necessário sabedoria para atravessar a imprecisão da vida e se manter de pé à suas turbulências.  Maria Verônica, minha mãe, que hoje completa 70 anos, sabe bem a que turbulências me refiro...

Nascida em uma família de fé cristã, filha do meio da união do Ferroviário e Alfaiate Agripino Nunes da Silva com a Professora Luiza Vieira da Silva, desde há muito é católica praticante. Trabalhou arduamente no Sistema Educacional do Governo do Estado do RJ até bem pouco tempo, quando a obrigaram parar, por forças das circunstâncias. Está aposentada, mas tenho ouvidos uns rumores de que ela estaria a procura de lugar pra trabalhar. Será verdade? Fica a dúvida... Porém, devo registrar aqui e agora que acho admirável a sua determinação, principalmente em sociedade que trata com tanto preconceito e ingratidão a pessoa com idade avançada, agindo como se os idosos não servissem mais para nada e desprezam a sabedoria adquirida que só o tempo é capaz de proporcionar. Certa vez, li um comentário que agora não me lembro de quem a autoria que dizia que “quem não tem um idoso, deveria comprar um, tamanha a riqueza do aprendizado de suas experiências”.

Aos 19 anos, ainda bem jovem, Maria Verônica formou-se professora e, aos 20, se casou com o belo rapaz Bernardino José da Silva Filho. No presente ano, 2011, celebrariam bodas de Ouro. Mas no Divino roteiro não estava escrito assim. Ficou viúva aos 55anos. Foi dureza (e é até hoje) continuar sozinha o sonho que haviam sonhado juntos. Sonharam ter uma família grande. Desejou ter sete filhos. Este deveria ser o tamanho de sua prole. Gestou sete vezes em seu próprio ventre. Quatro barrigas vingaram. Carmem Luísa, Dulcimar, Fernando e Alexandre. Quanto as outras três gestações, Deus escolheu outros caminhos para os espíritos que animavam aqueles corpos e os tomou consigo.  Assim sendo, restaram três vagas na família que foram devidamente preenchidas, evidentemente também pela vontade de Deus, por Marlene, Soraia (que não está mais presente em corpo entre nós) e Rodrigo, nossos irmãos de sangue transmutado pelo amor de nossa família, pois estes, paridos entre nós, foram gestados pela verdadeira generosidade e fraternidade, autênticas forças do coração, lição que aprendemos com os nossos pais. Partindo destes sete a lista, foi só aumentando. Mas agora a chamavam Vó. Por ordem de chegada, vieram Mário, Leandro, Diogo, Bruno, Gabriel, Rômulo, Guilherme, Lavínia, Camila, Amanda, Jéssica, Bernardo, Ana Júlia. E a lista continuou aumentando. Agora a chamam de Biza. Para a nossa alegria, de Bruno nasceu João Bruno. Já dizia a cantiga de roda “Sete e sete são catorze com mais sete vinte e um”... 21 nomes que tiveram suas essências plantadas feito sementes no coração de Maria Verônica, e de lá germinaram para a vida, a caminho de seus próprios destinos.


O número 7 representa a perfeição. Deus fez o mundo em seis etapas e na sétima foi ao seu descanso para a contemplação da sua obra, que Ele viu que era boa. Minha mãe cumpre em sua humilde existência sete décadas de trabalho intenso para criar seus filhos e nos ajudar a criar os seus netos e bisneto. Considero que isto a faz merecedora de toda a nossa gratidão e carinho e um pouquinho de descanso. Mas não muito, pois viver exige trabalho e ainda queremos dar-lhe muito trabalho e ter bastante trabalho com a sua vida durante muito tempo... O que Deus determinar, mas esperamos que seja ainda bastante... Mas temos consciência que, completados 70 anos de vida coroada de grandes vitórias, conquistou o direito da contemplação da tarefa realizada nesta vida. Olhem todos para nós e para nossos filhos e neto. Somos o legado de Maria Verônica ao mundo. Se perguntarem se temos dinheiro, daremos uma risadinha jocosa e responderemos: Nenhum... Mas se reformularem a vossa pergunta e nos perguntarem se somos ricos, aí sim... Com todo orgulho responderemos: Sim, somos ricos dos valores universais da ética humana. Honestidade, Lealdade, justiça, solidariedade, fraternidade e beleza, eis a nossa riqueza, resultado da educação que recebemos no seio da nossa família, através de nossa mãe e nosso pai que se foi mais cedo, mas que na tarefa de educador não deixou nada por cumprir (a ele também a nossa eterna gratidão).

Certa ocasião o mestre Confúcio disse: 'Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender; aos 30, plantei meus pés firmemente no chão; aos 40, não sofria mais perplexidades; aos 50, sabia quais eram os preceitos do céu; aos 60, eu os ouvia com ouvidos dóceis; aos 70, podia seguir as indicações do meu próprio coração porque o que desejava não excedia as fronteiras da justiça'.

Portanto, parabéns, mamãe, pelo que foi e é! Mas, principalmente, parabéns e muito obrigada pelo que nos ensinou a ser e se não fomos ainda mais longe, não foi por falta de seu apoio ou incentivo e sim por conseqüência de nossas próprias escolhas. Receba das mãos de João Bruno, o seu primeiro bisneto, estas flores representando o nosso singelo gesto de gratidão e homenagem e desejamos que fique ainda entre nós para receber em seus braços todos os outros bisnetos que ainda estão por nascer, se Deus quiser.  E Feliz Aniversário!


Dulcimar Menezes
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