JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

ATENÇÃO!

Publicado na edição 115 de Setembro de 2011

Perdoem-me a insistência, ainda não dá para mudar de assunto. Então, a ele.

Pela força do voto popular Magé tem um novo governo. Pelo que sei, é composto por pessoas com experiência em administração, ainda que da iniciativa privada. Pelo que tenho ouvido estão usando critérios baseados em conhecimento e experiência para ocupar os cargos de gestão do município. Tudo indica que podemos esperar um tempo de tranquilidade e alguns avanços, dentro do possível, no curto período até a próxima eleição - o tempo dirá.

Mas, para que tudo realmente fique sempre bem é preciso, entre tantas outras questões, ter-se consciência da finalidade dos cargos para os quais elegemos representantes e gestores - e o que se pode esperar e exigir deles; noção do que significa viver em sociedade e do que representa a opção pela democracia; visão clara da divisão entre o público e o privado. Assuntos que deveriam ser matéria de transmissão e discussão permanente, ex nunc et ad aeternum, desde sempre e para sempre.

Aqui, como no resto do país, é perturbadora a visão limitada que o cidadão em geral tem sobre política, que só é discutida em época de eleições. Voto, quando não comprado, é dado por simpatia, por qualquer tipo de afinidade, ou por interesse pessoal – dificilmente por proposta ou programa de governo, ou por convicção filosófico-ideológica. Apoio e repúdio são igualmente justificados por motivos e sentimentos individualistas (às vezes egoístas...) e raramente por avaliação de desempenho e resultados.

Será que se percebeu que o que aqui foi conquistado (e não foi pouco!) não se restringe a uma “vitória” do “bem” sobre o “mal”? A virada a que me referi anteriormente não foi a troca de um grupo político para outro. O que esteve – e ainda está – em jogo é mais, muito mais. Nosso papel, como cidadãos, não se limita ao voto, que por sua vez não é só direito, é dever! Tanto que, no Brasil, é obrigatório!  É preciso estar atento - aliás, verbo errado - é preciso ser atento o tempo todo. E agir, sempre que necessário. Já vimos que dá certo.

O texto “O analfabeto político”, do poeta e dramaturgo Bertold Brecht, fala por si só:

 “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”

Neuza Carion
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