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Colunistas - Ivone Boechat

Perspectivas da Educação para um Mundo Possível

Publicado na edição 115 de Setembro de 2011

Os maiores dragões do Século XXI - a informação e o som mal usados, já começaram a refletir na educação do imaginário da humanidade: os homens pensam que o mundo está um caos, tornam-se retransmissores de tudo o que é ruim e aí os transtornos de comportamento vão se instalando e interferindo, profundamente, na harmonia e no bem estar da sociedade global. O jornalismo de grande parte do Planeta especializou-se em selecionar notícias trágicas. Há muitas pessoas viciadas na droga da violência.

O século XXI chegou distribuindo: senhas, controle remoto, sites, games, pílulas da felicidade, reposição hormonal... Este é o tempo. As pessoas que aí estão, são as pessoas deste tempo. Os valores, os paradigmas, os parâmetros, os conceitos, as definições são como o caleidoscópio: depende de quem o movimenta.

Os cientistas prometem abrir o "livro da vida", curar a maioria das doenças e melhorar sensivelmente a qualidade de vida. Já foi descoberto o segredo de contra-ataque aos radicais livres e criada a dieta antiferrugem. Pode-se viver melhor e mais, porém, o avanço da ciência permitiu que se globalizasse o mal, com exclusividade, em tempo real.

As neuroses - resultado da leitura equivocada das experiências vividas - evoluíram com o homem. Nunca, como hoje, em toda a história da vida no Planeta, as emoções humanas foram tão evidentemente tocadas. No momento da seleção da notícia, optou-se por ver o mal, o feio, o indigno. Tudo isto sempre existiu, só que, hoje, em segundos, vê-se em cores, luzes e movimento. O mundo não está pior, está mais informado do pior. A humanidade vê exposta a pobreza, fruto de analfabetismos. A pior guerra e a que mais prejuízos traz à saúde humana, é a guerra de informações. Infelizmente, a seleção do fato obedece à prioridade das tragédias: quanto pior, melhor como notícia. As pessoas viciadas, tomam e fazem questão de tomar uma overdose diária de notícias péssimas e há aquelas que já sofrem da síndrome de ausência da violência. Sofrem com a sociofobia desta nova Era. O educador não tem como acabar com a violência, o que a educação pode fazer é ajudar a reduzir o gosto por ela.

O homem conquistou tudo o que sonhou e vive assustado com a dimensão da própria obra. A sociedade necessita de alfabetizadores para os múltiplos analfabetismos, urgentemente. É preciso ensinar ao homem desta Era, que ousa brincar tão ardentemente de deus, a ler, interpretar e administrar as próprias emoções. Procuram-se digitadores da informática humana, técnicos capazes de ensinar a autoestimulação dos hormônios que formam o padrão químico do bem estar.

Fazer a leitura correta do momento em que se vive é inteligência. Os analfabetos virtuais se confundem na multidão com todo tipo de analfabeto. São pessoas que não se adaptaram às mutações e não fizeram delas seu universo de felicidade. O futuro é hoje, amanhã não existe e passado não é o que passou, é o que ficou do passado.

As depressões e decepções daqueles que foram educados para viver, num tempo que já não existe, vão contaminando os que chegam à procura de paradigmas, de caminhos e soluções. Aqueles interferem e fazem tropeçar a geração atual.

Tudo hoje é rápido, perto e quase perfeito. Isto requer, lógico, pessoas preparadas para comandar as clonagens, a agricultura transgênica, o turismo espacial, as empresas transnacionais, as universidades virtuais, os transmercados da globalização, os transplantes. A comunicação já implantada e os que se prepararam para serem melhores, mais rápidos e perfeitos não têm do que reclamar.

O perfil do educador que pode implantar a EDUCAÇÃO PARA UM MUNDO POSSÍVEL é: competente emocional, gestor do tempo, gestor de informações, sentinela da verdade, líder, empreendedor, guardião das tradições brasileiras. Além, evidentemente, de estar sempre pronto para mudar, aprender, ousar, correr riscos e moderar.




Ivone Boechat
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