JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Eu e a Solidão

Publicado na edição 115 de Setembro de 2011

"Peso por peso, prefiro o meu que, pelo menos, me leva a algum lugar”.
Paulo Leminski (1944-1989)

"São os ociosos que transformam o mundo porque os outros não têm tempo algum".
Albert Camus (1913-1960)

E vamos eu e a solidão à caminho de  Paraty,  em busca de letras, histórias, enredos, testemunhos, depoimentos, leituras vívidas  e comoventes, diálogos inesquecíveis, performances memoráveis, de coisas  que  elevam e enlevam o espírito, fazendo brotar  o bom e o que de melhor há em mim. Juro da forma mais sincera: viemos pescar palavras, ambiente  propício à  produção  e  epifania de idéias; em busca de brisa leve,  calmaria, fugindo dos vendavais,  para,  no hiato de alguns dias, aportar na  literatura, deixando todo o resto para  trás. Parei e  escutei meu  coração. No coração, a paz de tanto querer  bem. Guardo comigo para minhas mulheres o meu melhor beijo, cheio do gosto de palavras e expressões. Ah, daria tudo pela presença  dos  longínquos. Minha disposição é seguir a recomendação do poeta, do poeta do finito e da matéria: chegar mais perto, contemplar as  palavras,  suas mil faces.  Aprender novas  palavras  e  tornar outras  mais belas. Meu  peito de sonhador  e aprendiz, hoje sabe  bem as  armadilhas e  os segredos do mar. E  meu sonho queima  o coração.  Distribuo segredos  como quem ama e sorri. Foi muito bom fugir e me exilar  aqui: nas lágrimas que derramei de  mim para  mim;  me  ver  no espelho e não me reconhecer. Uma aragem boa penetrou minha alma.  Senti que já havia  o som de  alguma  voz  a me chamar, no som de  alguma palavra... Tarde  aprendi que bom mesmo é dar  a alma como lavada. Não há razão para  conservar  esse  fiapo de  morte velha. O meu peito me diz: ainda há tanta vida  a  vir mais. Curioso: nessas  ruas,  tem uma praça  que se  chama  solidão. Me fio então no curso do rio, que nada  me impede  ou impele e nesse clima inspirador  e arrebatador do local, em que encontro a cumplicidade  que justifica  o ato de escrever, permaneço  buscando pepitas da  mais pura  verdade.



Antônio Laért
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