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Colunistas - Neuza Carion

Equívocos

Publicado na edição 117 de Dezembro de 2011

Pela força do voto popular Magé tem um novo governo...

Tudo indica que podemos esperar um tempo de tranquilidade e alguns avanços, dentro do possível, no curto período até a próxima eleição - o tempo dirá.

Assim comecei o artigo publicado há alguns meses. Bem que pressenti, e ainda bem que deixei registrado: toda a imensa expectativa em torno da nova administração municipal só podia dar no que deu... E não estou fazendo crítica, nem elogio. Não estou decepcionada porque não tinha expectativas, paguei para ver. Estava segura da impossibilidade de grandes mudanças em curto prazo.

Mas fui surpreendida. Não pela decepção que observo no povo e sim pela percepção de que os novos administradores também foram pegos de surpresa: estão atônitos, não esperavam rejeição e cobrança. Não privo de sua intimidade, mas por calo do ofício, creio na regra de presunção da inocência – a culpa é que deve ser provada – por isto penso que realmente esperavam não só ser capazes de apresentar resultados de imediato, quanto de ter a aceitação inconteste de quem os elegeu.

Pessoalmente, não tenho qualquer experiência em gestão, seja pública ou privada (mal, muito mal, a doméstica...), mas sei que não é fácil, nem simples. Ainda mais com toda a defasagem entre o que Magé deseja (que é seu, de direito!) e o que se tem de fato, com um enorme atraso gerado por décadas de ações no mínimo equivocadas. Mesmo a melhor das intenções esbarra no limite do possível. Repito: eu não esperei, por isto não me desespero. Nem acuso. E apresento minhas idéias como explicação, não como justificativa.

Acredito que faltou comunicação. Acredito que não se levou em consideração a diferença de visões, entendimentos, conhecimentos e objetivos entre administrados e administradores. Não houve diálogo, nem poderia haver mesmo, no tempo disponível. Houve, sim, uma falsa suposição de se estar falando a mesma língua, a enganosa certeza da união de intenções e da unanimidade de propósitos.

Ainda que as pessoas à frente do grupo que assumiu o governo tenham conquistado confiança, pelo êxito obtido em sua vida particular e por sua ligação com a cidade, até onde sei sua maior convivência - e identificação - é com uma parcela da população que é minoria e, em geral, não reflete nem representa as necessidades e expectativas (olha a palavra aí, de novo...) da maioria. Espero não estar sendo injusta.

Agora - já tardiamente – para que haja melhorias, é preciso haver sensibilidade, transparência e respeito, por parte quem detém o poder. Por parte dos cidadãos, é preciso coragem para se manifestar pacífica e abertamente, e alguma paciência. A responsabilidade maior, é claro, é de quem se propôs a fazer, e prometeu...  E repito: ... Mas, para que tudo realmente fique sempre bem é preciso, entre tantas outras questões, ter-se consciência da finalidade dos cargos para os quais elegemos representantes e gestores - e o que se pode esperar e exigir deles. ... Não adianta se lamentar e culpar os políticos.  ... Políticos não são extraterrestres todo-poderosos que invadem e dominam a sociedade. São parte e fruto da sociedade que os coloca na posição que ocupam.

Neuza Carion
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