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Colunistas - Antônio Laért

Fragmentos de Conversas - SOLO II

Publicado na edição 117 de Dezembro de 2011

Quando  escuto  a  canção caminhoneiro,  de Roberto e Erasmo, prontamente nela  me  reconheço, já que sou uma espécie  de  motorista  de  caminhão,  daqueles  que  conduzem por aí  “carga viva”.  No caso, ao volante,  conduzo  a mim próprio. Procedo com todo cuidado e  cautela  para  que esta carga viva chegue sempre  incólume   a seu destino.

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Um  momento  máximo da  música  universal,  é  o Quarteto de  Cordas, opus 132, 3º movimento de  Beethoven.  Essa obra  contém uma   alma  que nos toma  por  inteiro  e nos  faz  ir  longe, antecipando o paraíso. É de uma leveza que nos arrebata. É  o melhor remédio para  qualquer  dor. Saber  que  um  ser  humano foi capaz  de  escrever  essa obra nos enche  de  alegria  e  redime  nossa   humanidade. Entregue-se a essa experiência.  Vale  a pena.

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Em tempos de  superabundância de  informação,  rola tudo pela  internet, inclusive, muita bobagem. O importante é saber  separar o joio do trigo. Dias desses  me chegou um  E-mail  a respeito da  proibição de  um filme  que, segundo o interlocutor,  agrediria profundamente  sentimentos religiosos de  quem  tem fé  em Jesus Cristo. A idéia então seria  somar  esforços  para  proibir  a projeção do filme. Não subscrevo  tal proposição. A uma, porque não sei  se  a pessoa  que deu causa ao E-mail viu a tal película e se o que foi dito retrata  exatamente aquilo que irá passar  na tela. A duas, porque  sou contrário a qualquer  tipo de censura  prévia, dado que a arte é livre em qualquer de suas expressões. O filme  deve ser  visto por quem desejar,  sem qualquer embaraço. Trata-se de cegueira permeada por fundamentalismo sem fundo.

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Sobre crucifixos  em repartições públicas  e  Estado laico,  dias  desses  veio uma  besteira  a mais pela grande rede. Um interlocutor, sob a anemia de argumentos, jogou a toalha dizendo que, para  além de toda  discussão,  concorda  mesmo que o crucifixo não deve permanecer  em alguns locais,   porque o que lá se faz, não merece  essa distinção !? Ora, o crucifixo  é  um símbolo que, além de representar a injustiça de um julgamento sumário sem defesa, evoca  muito mais  coisa.  Se Cristo veio exatamente  para  estar  em lugares que dele precisavam  e Ele  mesmo proclamou isso, reservar  as  coisas  sagradas  apenas  para  quem   acha ou diz  merecer é uma visão enviesada, de  um puritanismo  absurdo e  hipócrita.
 



 

Antônio Laért
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