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Colunistas - Dulcimar Menezes

Nossos Sonhos... Que o Vento não os Levem!

Publicado na edição 117 de Dezembro de 2011

Uma pessoa ensandecida, instrumentada de um pedaço de mármore tentou quebrar todos os equipamentos de caixas eletrônicos de uma agencia bancária em Magé, alcançando êxito na maioria das máquinas. Quem esteve no banco naquela segunda feira, lembrará do transtorno que tal ato de vandalismo causou. Todo a cena foi gravada pelas câmeras do circuito interno de segurança do banco e não tardará para ser identificado o indivíduo de tamanha violência e insensatez que provocou todo aquele estrago e certamente pagará pelo que fez.
Pois bem, este fato me levou a pensar sobre o que poderia ter provocado o protagonista desse nefasto evento a reagir com tamanho destempero. A violência não pode ser justificada, mas precisa ser entendida, do contrário jamais será superada.

Histórias como estas mexem profundamente comigo, que do lugar que ocupo na sociedade, tenho acompanhado de perto o desespero humano. No meu silêncio sofri e me apiedei da pobre criatura refém do próprio ódio... Compadeci-me na mesma medida da humanidade que já não suporta mais tanta humilhação e descaso por parte das autoridades que tem demonstrado que quando querem fazem. Não há mais dúvidas sobre os recursos materiais. Estes, definitivamente, não são o problema. O problema é a ganância! A sociedade carece dos valores universais da Ética e da Vergonha na Cara!

Tudo isto me levou a pensar em nós. Na nossa comunidade, nas nossas crianças, nos nossos sonhos, em nossas esperanças... Há pouco vivemos um tempo de tanta euforia e boas expectativas. Aí, fiquei imaginado o que de fato estará acontecendo em nossa cidade, já que nós, simples cidadãos, só podemos acompanhar o que vemos, confiar no que não vemos e cumprir a lei... Vieram-me pensamentos que me provocaram calafrios... E se tudo não passou de um grande teatro?... E se, no jogo político, a nossa vitória foi resultado de cartas marcadas?... E se tem lobo maior ainda maquinado abocanhar o nosso rebanho?... Bbrrrrrrrr... Só de pensar eu estremeço de pavor!...
À noite, ao dormir, tive um pesadelo horroroso!

Sonhei que estávamos todos na praça da prefeitura assistindo a um filme da retrospectiva da história mageense. Um cidadão, muito bem trajado com um terno muito valioso, era reverenciado pelo povo. Seguindo-o, vinham muito homens entregando seus santinhos a toda a população. Este grupo tinha o rosto mascarado, mas saíam muito bem nas fotos. A felicidade e a esperança tomavam conta da praça e todos éramos crianças. Subitamente o ambiente foi tomado de um vento forte que começou a soprar uma areia preta que cegava a todos e os mascarados começaram a revelar suas faces de raposas carniceiras, que agora novamente se separavam em clãs hostis entre si e que só tinham um único objetivo: tomar a roupa do elegante Líder, que vestia um terno tecido de retalhos dos sonhos de cada cidadão mageense. E as raposas vorazes e gananciosas nem tomavam conhecimento das crianças, que continuavam dançando, cegas e inocentes, a sombria música que soprava da ventania. Os bichos só queriam a roupa e a fortuna do Rei. Cercavam a prefeitura com uma nuvem densa de suas intenções irradiadas de gigantescos olhos azuis... Um horror! Cena pavorosa! Alguns de nós, com a visão nublada da densa neblina, tentávamos levar as crianças para as escolas, mas era difícil identifica-las. Todas sem nomes. Conseguimos uma... Era hora do recreio... O pátio vazio... Os alunos estavam na cantina. Eram crianças obesas e violentas. Seus corpos eram de matéria feito gelatina, conforme caminhavam, derretiam e desapareciam. Procuramos os professores e os encontramos escondidos na sala dos professores, que mais parecia uma toca grotesca, de paredes grossas de fuligem de cigarros e ar pesado da fumaça e maledicências. Quando adentramos a sala, os professores furiosos, nos colocaram para fora e mandaram que fechássemos a porta antes que as crianças os achassem, pois lá fora estava havendo muito bullying. Tarde demais! Uma menina geléia veio correndo em nossa direção... Estourou-se e nos envolveu a todos em óleo pegajoso que nos impedia de respirar... Socorroooo!!

Acordei... Meu Deus, ainda bem, foi só um sonho! E se não foi?... Se não foi... Por favor, não me acordem. Permita-me permanecer a sonhar a Esperança.

E ao desesperado cidadão, cuja obra esculpida não em mármore, mas com um pedaço de mármore será lembrada por nós durante um bom tempo, desejo que encontre um pouco de paz e fé. E a todos, desejo que os bons sonhos renovem as expectativas positivas para o próximo ano e que o presépio do Amor e da Justiça possa ser construído e permaneça vivo na nossa praça irradiando a Verdade que ilumine os novos tempos! Feliz Natal!


Dulcimar Menezes
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