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Colunistas - Valmir Sant'Anna

Questão de Semântica

Publicado na edição 117 de Dezembro de 2011

Por haver correlação de palavras, ao pronunciá-las, as pessoas transformam o sentido original de certas expressões. Vejamos alguns ditados que mudaram de significado:

“Quem não tem cão, caça com o gato.” Bem se sabe que o gato não é companheiro do homem para caçar. E quando sai à cata de algum bicho, o faz de forma isolada. O correto, inicialmente, era: “Quem não tem cão, caça como gato,” ou seja, a pessoa sai a caçar sozinha.

Quem já não ouviu alguém dizer a alguma criança: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro.” Se pensarmos bem, por que o carpinteiro entraria na história? Inicialmente, o certo era: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”. Aí fica melhor para nós interpretarmos o que quer dizer, não é mesmo?

Nós, adultos, sempre que oportuno ensinamos aos pequenos a dizer: “Batatinha, quando nasce, esparrama pelo chão.” É outra inverdade, pois batata é uma raiz que dá sob a terra. Portanto seria mais apropriado dizer: “Batatinha, quando nasce, espalha a rama pelo chão.”

Aí não são os pequeninos que repetem, mas os adultos: “Cor de burro, quando foge.” Ora, ora, o burro quando foge tem cor diferente? Claro que não! O que se deveria falar é: “Corro do burro, quando foge.” Nada tem a ver com a cor.

Fato mais real e pitoresco ocorre aqui no Rio de Janeiro, na famosa Av. Brasil, ali pela altura do bairro de Campo Grande, onde temos o “viaduto dos cabritos”. Na verdade, os dóceis caprinos nada têm a ver com o viaduto. O engenheiro responsável pela obra é que tem como registro civil, o nome “Orcar Brito”.

Mas, a mais esquisita de todas é a velha frase que todo mundo repete: “Quem tem boca, vai a Roma.” Tem-se a impressão que a pessoa que sabe perguntar e se comunica bem, vai a qualquer lugar. Não tinha dúvida quanto ao sentido desta expressão.  Segundo quem pesquisou, o certo seria: “Quem tem boca, vaia Roma.” Isto mesmo, do verbo “vaiar”.

Certamente, há muitas outras palavras, expressões ou ditos populares, que o uso acaba por mudar o sentido, daí por que, nas aulas de Português, se estuda as figuras de linguagem: como metáfora, metonímia, aliteração e tantas outras.

Valmir Sant'Anna
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