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Colunistas - Robson Pereira

Parece fábula, mas é a mais pura realidade

Publicado na edição 118 de Janeiro de 2012

Em alguns momentos me reporto à ficção, ou às fábulas para tentar entender o que passa na cabeça da nossa população. Na verdade, em alguns momentos me incluo nessa história, e nesses momentos fico pensando o que fizeram do nosso povo, dos nossos conceitos éticos, o que restou da nossa paciência e tolerância com a coisa pública.

Como uma bomba atômica, os governantes dessa cidade deixaram rastros de destruição por toda parte. E como sabemos, a bomba deixa marcas por toda  a vida. Também sabemos que não dá para ficar sentado lamentando o que foi destruído, não dá para ficar vivendo à sombra das atitudes que mudaram os rumos de nossas vidas. A bomba já foi detonada, a destruição já foi concretizada, os efeitos já estão sendo notados por toda parte. E agora, o que fazer?

Como ser humano, tenho a certeza da nossa capacidade de adaptação, como guerreiro tenho no sangue a certeza de que vou lutar até o ultimo momento, e como educador tenho a sensibilidade da atenção para saber o  momento de me apropriar da oportunidade e construir o conhecimento necessário para mudar uma realidade.

Há poucas semanas, em uma de minhas atividades religiosas, me peguei refletindo sobre uma explanação do padre, em que falava sobre o que seria da sombra se não fosse a luz. Já parou para pensar nisso? Nessa linha de pensamento acabei me reportando a uma fábula exibida em um filme, cujo título: O Feitiço de Áquila, 
(parece que o roteiro foi inspirado numa lenda do séc. XII), é a história de um casal que é vitima da maldição de um Bispo de Áquila (uma cidade medieval famosa por sua prisão). Eles estão sempre juntos, mas não podem concretizar seu amor. Durante a noite, ela se transforma num falcão e durante o dia, ele se torna um lobo. O único momento em que se vêem é durante poucos instantes no crepúsculo.

Você deve estar achando estranha essa menção, porém também deve estar pensando no quanto são importantes a sombra e a luz. Na verdade, se prestarmos atenção, veremos que não dá para desprezar o crepúsculo, pois era esse o  momento, em que  noite e  dia se fundiam, e com a união entre   lua e  sol,  brotava a esperança do  amor.

Em muitos momentos, temos a sensação de que a noite nunca vai acabar para Magé, e em outros,  acreditamosque só precisamos da luz.

Vamos acreditar que tudo que passamos, foi para o nosso crescimento, e que se não fossem as sombras do nosso passado, não teríamos condições de nesse momento estar vivendo um crepúsculo.
 

Robson Pereira
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