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Colunistas - Antônio Laért

Fragmentos de conversa solo IV

Publicado na edição 119 de Fervereiro/Março de 2012

Tem  horas e momentos  que dá uma vontade imensa  de  tirar a  tampa e deixar  vazar, esvaziar-se de tudo. Voltar àquele grau zero do aprendizado, aquele momento inicial de maravilha e encantamento.  Por maior  que seja a leveza, a bagagem que arrastamos pesa.

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Esperar em aeroporto. O que é isso? Por que tanto nos impacienta,  se, para além de todo atraso, em pouco estaremos no meio de transporte mais rápido que existe? Estranha sensação de  pressa que nos oprime, quando é certo  que chegaremos antes e  por  primeiro.

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Surge um forasteiro. Ah, o forasteiro, esse que vem de fora, vendo, muitas vezes, o que não se mostra, nem é visto pelos demais. Já impliquei com isso  e até escrevi nessa direção. Hoje tenho opinião diversa. Alguém de fora pode contribuir sim e muito. Essa idéia  nativista  de  fixação prévia do homem à terra, como condição  para  fazer  o melhor  já produziu o pior na história recente da humanidade. O nazismo  firmou-se  com esse  discurso. A França, os Estados Unidos e o Brasil, são países  com tradição de acolhimento de outros  povos, o que só os enriqueceu.

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Jamais  condenarei  quem quer que seja, sobretudo, em razão de apoiar  esse  ou aquele  político, em troca  e garantia de  seu emprego e de seus familiares. Não, isso não. Sem o pão e o arroz com feijão garantidos, qualquer filosofia perde sua originalidade  e vira  discurso sem fundo. Respeito e admito a  lealdade a  quem ajudou. Não há imparcialidade nesse   jogo difícil de se jogar.

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Já foi dito que Magé tem dois tipos de calor: o do verão, infernal. E o humano, extraordinário. Como posso testemunhar a veracidade  dessa afirmação. Quando estou  entre os meus, sou recebido de forma única e por tantos abraçado: é tanta benquerença, apreço e amizade que é custoso manter a  cara limpa, já que os olhos sempre falam  a verdade. É delicioso, chegar, ficar  e assim ser recebido.

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O avião é o meio de  transporte  mais rápido do mundo, dirão alguns, quando tudo dá certo. Pode ser, por igual, o mais  demorado, quando tudo  descontrola  e  perde o prumo.


Antônio Laért
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