JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

ELEIÇÕES E NOMES

Publicado na edição 82 de Julho de 2008

“Uma vez que não podemos modificar os homens não nos cansemos de modificar as leis". L. Arréat “Devemos tudo esperar e tudo temer do tempo e dos homens." Vauvenargues (1715-1747) Pouco acima de meu nariz, na linha do horizonte visual, parado num engarrafamento de trânsito desses que nos aprisionam nas vias mais largas de nossas cidades, vejo, afixado no vidro traseiro do carro à frente, a seguinte propaganda: “Barriga do Açougue”. Em outro carro, mais adiante, vejo: “Andréa do Marquinho Galinha”, “Celso do Poço”, “Jofre da Católica”, “Antonio da Laranja”, “Valdeci do Quiosque”, “Paulo da Vassoura”, “Mozart Mata-Mosquito”, e outros ainda: um monumento à anti-criatividade, à falta de imaginação, ao que é oco e ralo. Será problema de “padrão civilizatório”?! Reflexo desse tempo de penumbra em que vivemos, não sei. Mas que é uma coisa terrível, lá, isso é! São pessoas todas elas aspirantes a cargos eletivos. Uma pergunta inquieta-me: como acreditar em alguém que sequer manifesta zelo pelo nome com o qual livremente escolhe apresentar-se ao eleitorado ? O grotesco e o prosaico que permeia essa propaganda certamente se fará presente também, quero crer, na vida, na campanha e na atuação política, ou se não confirmar a sentença de Luigi Pirandello: “assim é, se lhe parece”. Penso cá comigo, se, de longe, é assim, de perto, será muito pior. Caetano Veloso diz numa canção: “de perto, ninguém é normal”. O que terão a dizer esses candidatos aos eleitores ? Que entusiasmo poderão passar na campanha, transmitindo-o aos ouvintes ? Que brilho no olhar serão capazes de provocar ? Por mais otimista que seja, tenho que admitir: o quadro é desalentador. Talvez esteja aí um reflexo da crise de representatividade porque passa a sociedade. A quem, de fato, representarão ´suas excelências´ esses candidatos ? Como conhecer o que pensam eles ? As idéias, compromissos, plataformas: quais serão ? Talvez a aproximação para conhecê-los traga-nos uma conseqüência utilitária: colher antecipadamente a decepção para colocar nesses lugares em maior parte, exatamente, nomes e pessoas capacitadas para os cargos. Isso fará sempre a diferença. Amigo eleitor: pare, olhe, ouça e decida. A mudança começa pelo seu voto. Use essa arma, apontando-a na direção certa. A democracia, tal como o andar de bicicleta, prescinde de treino. O equilíbrio só se o alcança andando.

Antônio Laért
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