JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Dulcimar Menezes

Oh, abram alas, que o carnaval quer passar!

Publicado na edição 119 de Fervereiro/Março de 2012

Era passar o ano novo e já começavam os preparativos para a grande festa! Acordávamos cedo, cumpríamos os afazeres domésticos que nos cabiam na época... Que em tal tempo eram tão poucos... Resumiam-se a forrar as camas, varrer a casa ou talvez lavar uma louça para a mãe... Coisas simples que os jovens atuais continuam a reclamar por fazer e com a gente não era diferente. Àquela altura, início dos anos 1980, nem imaginávamos de fato o que era trabalho e o que a vida no futuro nos exigiria, sem direito a queixumes ou corpo mole. Bem, tarefa realizada, era chegada a hora de partir para casa de um amigo para se entregar de corpo e alma à deliciosa tarefa de preparar os trajes de gala. Figurino em mãos... Correria às costureiras... Bordados e sapatilhas... Entre quitutes e lanchinhos... Música e amizade! Nosso quartel general de foliões costumava se revezar entre as casas dos tios Didiu e Dalci, Zeca e Cassinha e Jonguinha e Ada, que nos recebiam com toda doçura e carinho. Só de pensar, coração palpita... Quase choro. Só não choro por motivo das reminiscências serem repletas da alegria circense que nutria a nossa euforia com a expectativa da chegada do carnaval. Os sentimentos eram os melhores. Estava próximo o período da Glamorosa Brincadeira, ilustrada de brilhos e fantasias, confetes e marchinhas, sensualidade e serpentinas. Sensualidade sim, onde o erotismo brotava puro, e a nefasta vulgaridade não tinha passagem na avenida iluminada de poesia e ludicidade.

Fazíamos fantasias para a noite, para o dia, para o sábado, para o domingo... E ainda usávamos as do carnaval anterior que eram guardadas feito patrimônios que, de fato, eram, posto que detinham os sentidos e sentimentos de nossas melhores vivências nos três dias ( que para nós eram trinta) de pura festividade. E quando chegava a hora de travestir as nossas almas, penetrar a elegância e adentrar pelo salão do Clube... Aí, meu amigo, a Glória era plena!
Festividade pura que os insensatos e hipócritas insistem em denegrir e o meu coração, pleno de ótimas lembranças, incansavelmente insiste em defender. Violência, Imoralidade, Indecência, Pecado, Máscaras horrendas... Meus caros, tenham Santa Paciência! Violenta é a maneira desrespeitosa com que tratamos as nossas crianças e jovens, feito coisas indesejáveis. Imorais são os indivíduos gananciosos e sem escrúpulos que superlotam, aos fins de semana, os diversos templos religiosos por toda a cidade. Indecente é o desemprego, a falta de oportunidade e o valor do salário mínimo. Pecado é a quantidade de bens de consumo que desperdiçamos, principalmente a sagrada comida. E quer máscaras mais monstruosas do que as dos políticos em ano de eleição? Ah, façam-me o favor... Carnaval é alegria, brincadeira, beleza e amizade! E se não é assim, certamente é por conta do que o Pierrot ou a Columbina trazem em seus corações..

...Mas retornando à beleza da nossa nostalgia, é lamentável constatar que, após a invasão dos Viking, piratas nórdicos cruéis e sanguinários, à nossa sociedade e usurpação, principalmente, do nosso belo patrimônio cultural ( Magé, certa ocasião, teve o seu carnaval de rua considerado entre os melhores do Estado do Rio de Janeiro), a paisagem foi ficando cada vez mais desolada, as sombras passaram a reinar... E o caminho da salvação da inocência apontou para as praias e para a luz de suas cidades.

O que eu pretendo com esta conversa toda? Fazer o que está ao meu alcance: Sensibilizar! Principalmente àqueles que alcançam mais e podem mais, para que cuidem melhor daqueles cidadãos que ficam, mas que também merecem mergulhar em alguma onda, nem que seja a da milagrosa Esperança.

Fica a reflexão para os próximos...

E que o Senhor Deus abençoe, hoje e sempre, o Carnaval Mageense e proteja o seu povo da palhaçada geral!

E agora que ela passou, findo o sonho, recomecemos o ano...

Dulcimar Menezes
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