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Colunistas - Antônio Seixas

O VELHO PAIOL DO CALUNDU

Publicado na edição 120 de Abril de 2012

Em Guia de Pacobaíba, no final da Estrada Real de Mauá, às margens do rio Estrela, ficam as terras da antiga fazenda Calundu, pertencente a Alexandrina Maria da Conceição, adquirida pelo governo imperial em 1826, para nela construir um paiol que receberia a produção da Fábrica da Estrela, criada por D. João VI, em 13 de maio de 1808, com o nome de Fábrica de Pólvora da Lagoa Rodrigo de Freitas. Em 1824 a fábrica foi transferida para Raiz da Serra, com a denominação de Real Fábrica de Pólvora da Estrela, mediante Decreto de D. Pedro I. A Fábrica de Pólvora da Estrela foi significativamente importante no Brasil Imperial, tendo abastecido de pólvora os aliados durante a guerra do Paraguai. Em sua composição arquitetônica, o paiol lembra uma fortaleza, com grande robustez e proporções palacianas. Espessas paredes em alvenaria de pedra erguem-se totalmente fechadas, pontuadas pelas aberturas dos pequenos óculos. O Paiol do Calundu, de aproximadamente 370 metros, em planta retangular, apresenta uma única entrada, em sua fachada de maior dimensão, encimada por um óculo. Os cunhais, bem marcados, e duas pilastras entaladas modelam as fachadas mais longas. A primitiva cobertura, provavelmente em quatro águas, apoiava-se em grossas cimalhas, ainda existentes e que revelam o gosto classicizante e destacam a massa construída, com destaque para o portal de entrada e as escadas em cantaria. Na segunda metade do século XIX, em decorrência da epidemia de malária que assola a região, aliada a decadência da própria fábrica, o Paiol do Calundu é desativado, transformado em relíquia de nossa história militar.

 

Antônio Seixas
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