JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Dulcimar Menezes

A ÉTICA DO CONSUMO

Publicado na edição 120 de Abril de 2012

Em tempos de chuva, quando meus amigos me perguntam se tenho um guarda chuvas, respondo que não. - Não, eu tenho um Paraguas (guarda chuvas  em espanhol)

Todos já irão entender. Num breve passeio que fiz com a minha família a Buenos Aires, tive a oportunidade de rever uma grande amiga de juventude que já vive lá a mais tempo de que ela viveu aqui (como ela mesma diz). Foi um encontro delicioso, com gostinho de quero mais! Porém, houve um singelo momento que se tornou muito especial: Após a sua chegada no hotel onde estávamos hospedados e, findadas as emocionadas manifestações de carinho e saudades, era chegada à hora de ‘bater pernas’, estava chovendo. Somente a minha amiga tinha guarda chuvas. Foi então que ela correu na esquina de uma rua próxima e comprou um exemplar bem simples num camelô e nos presenteou com a seguinte exclamação “um Paraguas para vocês!”.

Bem, este breve episódio me fez refletir sobre grandes coisas... Principalmente, sobre o valor da Amizade e também sobre o valor das coisas que possuímos. Houve um tempo em que se adquirir um bem material era algo tão difícil para a grande maioria da população, que esta vivência era sentida como uma vitória. Lembro-me, inclusive, de pessoas que costumavam dar nomes próprios aos carros, tamanho era o apreço pela conquista. Telefone de residência era um luxo e guarda chuvas artigo de compor a elegância, em dias de chuvosos ou ensolarados (quando viravam sombrinhas). Não imaginem que sou contra o avanço da sociedade e da evolução tecnológica, pois tenho certeza que, bem usadas, terão a capacidade de resolver muitas dificuldades da humanidade. Porém, penso que está passando da hora de refletirmos sobre a cultura do descartável, do consumismo fútil e descompromissado com a causa da sustentabilidade. Somos movidos pela propaganda e pelo olho grande nas coisas dos nossos vizinhos. Se o outro tem uma roupa nova, um celular novo, um laptop de última geração, ou um carrão 0km, então também precisamos de um melhor ainda se não nos sentiremos inferiores. Guarda chuvas? Perdemos todos! Mas que importância isto tem? Um guarda chuvas é tão baratinho! “Santa mediocridade, Batman!”. Estamos nos esquecemos (ou ainda nem despertamos para isto...) que toda matéria prima de tudo que consumimos é extraída de matas, montanhas de minérios, areais, rios e faunas. Terras Raras foi o nome dado a um grupo de 17 elementos vitais para a fabricação de produtos de alta tecnologia como telefones celulares, turbinas eólicas, baterias para automóveis elétricos e outros tantos produtos. Pararam para pensar porque Terras Raras e não Terras Fartas? A China é responsável pelo fornecimento de 90% dos produtos de terras raras consumido pelo mercado global. E a extração desordenada de terras raras tem provocado danos ambientais nas regiões da China onde elas ocorrem. Ouvi dizer que as reservas de alguns metais de terras raras durarão apenas 20 anos caso a China não controle sua extração excessiva. E então, o que faremos? “Acorda Alice!” O problema do Planeta é nosso sim. Nós somos a Natureza! Nossa verdadeira natureza é espiritual! Vivemos um tempo de mudança de paradigmas: Riqueza interior e simplicidade exterior! Este é o único caminho...

Enfim, agradeço a minha queridíssima Leila Guimarães pelos ótimos momentos que passamos juntas e por toda reflexão que uma pequena gentileza, pequeno gesto de grande amizade, nos favoreceu. Eu que era mestre em perder guarda chuvas, hoje tenho um Paraguas insubstituível, por isso não o perco jamais!

Dulcimar Menezes
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