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Colunistas - Gustavo Meirelles

Magé... 447 anos!

Publicado na edição 122 de Junho de 2012

O desbravamento da Região de Magé data dos primeiros tempos coloniais do Brasil. Em 1565, após a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, Simão da Mota é agraciado por Mem de Sá com uma sesmaria e edifica sua moradia no Morro da Piedade, próximo do qual, ainda hoje, existe o porto do mesmo nome, a poucos quilômetros da atual sede municipal.

Alguns anos depois, Simão da Mota, com outros portugueses e inúmeros escravos, transferiu-se para a localidade Magepe-Mirim, de onde se originou a atual cidade de Magé. Na época, viviam na região Índios da tribo Tamoios, dos quais não restam vestígios. A povoação foi elevada à categoria de Freguesia em 1696. Próximo dali também desenvolveu-se, a partir de 1643, a localidade de Nossa Senhora da Guia de Pacobaíba, que foi reconhecida como freguesia em 1755.

Devido ao esforço dos colonizadores e à fertilidade do solo, Magepe-Mirim e Guia de Pacobaíba gozaram de uma situação invejável no período colonial. Tanto numa quanto noutra, o elemento NEGRO, introduzido em grande número, muito contribuiu para o desenvolvimento da agricultura e elevação do nível econômico local. Em 1789, Magé foi elevada a categoria de Vila, obtendo, assim, sua emancipação, em 07 de junho de 1789, e instalação, em 12 de junho do mesmo ano, com território constituído de terras desmembradas do Município de Santana do Macacu e da cidade do Rio de Janeiro, inclusive as Ilhas do Arquipélago de Paquetá, na Baía de Guanabara. No ano de 1810, foi à localidade tornada Baronato e no ano seguinte, elevada a Viscondato. Em 1857, foram-lhe atribuídos foro de Cidade.

Para que se avalie a importância da nossa Linda Magé, durante o Segundo Império foi construída em suas terras a primeira Estrada de Ferro da América do Sul. Inaugurada em 1854, a Estrada de Ferro Maúa, ligava as localidades de Guia de Pacobaíba e Fragoso, numa extensão de 14,5KM.

447 anos se passaram e surge a pergunta: O que vamos comemorar?!

Vivemos complexa realidade, possuímos 25 pontos turísticos que deveriam gerar Renda e resgatar a autoestima da nossa população, no entanto, acabamos de ganhar o título de PIOR cidade do Brasil, entre as cidades com mais de 200 mil habitantes, em geração de Renda e Emprego. Nossa linda Magé esta entre as 15 cidades do Estado do Rio de Janeiro que mais receberam verba (Ranking de 2010) para a Educação e ao mesmo tempo estamos entre os 10 piores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), saneamento básico é Artigo de Luxo e consequentemente a Saúde do Município não vai bem. O ultimo Estudo socioeconômico da nossa cidade apontou que 35% da nossa população esta vivendo abaixo da Linha da Pobreza, ou seja, 87 mil habitantes vivem com menos de R$70,00 (setenta reais) ao mês. Não existem politicas publicas para as mulheres e muito menos para a juventude, parcela esta que representa o principal perfil da nossa linda Magé. Nossa cidade é composta na sua grande maioria por jovens entre 16 e 35 anos, no entanto, ficamos muita das vezes a margem do processo de desenvolvimento econômico que se torna realidade em nossa região.

Vale destacar o histórico de corrupção que mancha a nossa história, corrupção esta que impede que tenhamos uma cidade mais justa, com mais igualdade social e dignidade. 447 anos se passaram e não sabemos ao menos o nosso perfil econômico, será que vamos esperar mais 447 anos para olhar nossa cidade com mais responsabilidade?! Até quando vamos tolerar a “farra” com o dinheiro público?

O passado se reflete no presente, que futuro queremos para nossos filhos?! Em breve, teremos que responder esta pergunta!


Gustavo Meirelles
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